Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 04/01/2021

Em 1904, o lixo tomava conta da cidade do Rio de Janeiro e através dele o vírus da varíola se espalhava cada vez mais. Para solucionar tal problema, o presidente Rodrigues Alves decidiu realizar vacinações em massa. Contudo, a falta de informações sobre o programa de erradicação da doença e caráter obrigatório deste fizeram a população se rebelar, dando origem a Revolta da Vacina. Apesar de já comprovada a eficácia e a necessidade das vacinas, a revolta de 1904 é análoga à atualidade, uma vez que parte da população ainda resiste em aceitar tal fato e decide não participar dos programas imunizatórios, atitude que prejudica não somente o indíviduo mas também o coletivo.

Em primeiro plano, é fulcral ressaltar que os problemas imuzinatórios no Brasil estão relacionados diretamente com a comunicação problemática que a população possui. As chamadas fake news têm um papel importante nesse quadro, pois é através delas que muitos pais recebem conteúdos falsos, os quais afirmam que as vacinas são prejudiciais à saúde e por medo, não vacinam seus filhos. Além deste fator, muitas pessoas deixam certas vacinas de lado por acreditarem que elas não são mais necessárias na atualidade, já que certas doenças não estão mais “presentes” no meio social. Entretanto, quando essas pessoas não são imunizadas, elas ficam suscetíveis a patógenos e caso entrem em contato com algum infectado da doença, elas poderão gerar uma epidemia dessa enfermidade que até então estava erradicada conforme relatos do médico e professor Expedito Luna.

Em segundo plano, é válido considerar que a burocratização e o descaso com a vacinação por parte do Estado também tem contribuído para a decadência desta. Os recursos escassos que trazem consigo a falta de vacinas importantes, a redução dos funcionários disponibilizados para a aplicação e do espaço no qual ele trabalhará, e as longas filas para atendimento fazem com que muitos indivíduos e mães se cansem de esperar e simplesmente desistam de serem vacinados. Sendo assim, apesar de o Governo Federal afirmar que faz sua parte ao fazer propagandas e outras formas de publicidade que conscientizem a população, utilizando, por exemplo, símbolos nacionais como Zé Gotinha, há muitos problemas estruturais que impedem que essa conscientização seja transformada em realidade.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de minimizar o problema. Cabe ao Ministério da Saúde realizar palestras em escolas, a fim de conscientizar os pais e as crianças sobre os impactos que a falta de proteção traz tanto para o indivíduo não imunizado quanto para a sociedade. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde disponibilizar mais profissionais para tal tarefa além das condições necessárias como ambiente e ferramentas, para que todos os cidadãos possam receber um atendimento seguro e digno, formando uma sociedade mais protegida e consciente.