Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/01/2021
A Revolta da Vacina, movimento popular ocorrido em 1904 no Rio de Janeiro, teve como alavanca máxima a lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação anti-varíola sobre a população, gerando desconfiança quanto à procedência do líquido utilizado e aos efeitos colaterais após a injeção. Igualmente, a sociedade brasileira vigente percorre o mesmo caminho, ocasionando desafios para a garantia da vacinação em solo nacional. Desse modo, é necessário analisar o horário de atendimento dos postos de saúde e os movimentos antivacinas como causas dessa problemática, junto às consequências, a fim de assegurar uma imunização democrática e de qualidade à população brasileira.
Ao analisar alguns aspectos que agravam a dificuldade de vacinação no Brasil, verifica-se que o horário de atendimento à população é inviável a uma grande parcela de cidadãos empregados. De certo, a carga horária de trabalho diário, normalmente, é discrepante ao horário de funcionamento dos postos de saúde, que só exercem suas funções em dias úteis, de 8h até 17h, apresentando a falta de tempo que pais e responsáveis têm para imunizarem seus filhos e responsáveis. Para comprovar isso, o departamento de informática do Sistema Único de Saúde, o DATASUS, indicou mediante a pesquisas uma queda considerável nas coberturas de imunização no país, tendo menos crianças vacinadas do que em anos anteriores. Como resultado, doenças já controladas anteriormente, como caxumba e sarampo, podem reaparecer na sociedade, resultado do pouco tempo livre de pais que trabalham.
Vale ressaltar, também, como os movimentos antivacinas atrapalham o bom andamento de coberturas de imunização no país. A priori, esse movimento ganhou notoriedade em 1998, por conta de um artigo feito pela revista médica Lancet, associando o autismo infantil com a aplicação da vacina anti-sarampo. Após isso, tomados pela desconfiança e pelo medo, muitos pais passaram a desconsiderar a imunização para proteger os filhos, mesmo com a desmentira da pesquisa médica tempos depois. Em contraste com isso, o filósofo grego Aristóteles, em outrora, disse que o ser humano tem sede de conhecimento, mas o que prevalece na sociedade atual é o desconhecimento. Consequentemente, sem a devida proteção, a taxa de mortalidade infantil deve aumentar, à medida que as antivacinas avançam.
Em virtude dos argumentos apresentados, o Poder Público deve garantir o bom andamento das campanhas de vacinação no Brasil. Para tal, o Governo, na figura do Ministério da Saúde, deve flexionar os horários de atendimento nos postos de saúde, por meio de investimentos que aumentem o número de funcionários públicos para a adição do horário noturno e dos sábados, para que pais e responsáveis possam concretizar as campanhas governamentais sem que saiam da rotina de trabalho. Destarte, a imunização barrará o reaparecimento de velhas epidemias e trará estabilidade para o país.