Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 03/01/2021
Desde o Iluminismo, sabe-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a desmobilização na busca de se garantir a vacinação efetiva dos brasileiros, em pleno século XXI, percebe-se que esse ideal Iluminista é verificado na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse cenário, torna-se desafiador construir uma mentalidade de prevenção consciente no país, devido à insuficiência legislativa e ao preconceito, que colaboram para o transtorno.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a falta de garantias para a vacinação de brasileiros rompe essa harmonia, haja vista que, embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garanta o direito da criança em receber a vacina, e o dever do estado em fornecê-las, há brechas que permitem o desabastecimento de insumos e a ingerência de órgãos governamentais sobre essa temática. Dessa forma, evidencia-se a importância do reforço da prática de regulamentação como forma de combate à problemática.
Outrossim, destaca-se o preconceito com as vacinas como impulsionador da onda antivacinal. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, é possível perceber que preconceito por falta de conhecimento sobre a temática pode ser encaixado na teroria do sociólogo, uma vez que, se um núcleo familiar vive em uma localidade com recorrência desse tipo de comportamento, ele tende a adotá-lo, também, por conta da vivência em grupo. Assim, o fortalecimento desse tipo de comportamento, transmitido através comunidades, funciona como forte base para esse tipo de mazela, agravando ainda mais a situação no país.
Portanto, para garantir a vacinação dos brasileiros, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que os municípios, em parceria com centros comunitários de bairros com baixos indices de vacinação, promovam rodas de conversa e debate sobre os riscos de campanhas vacinais mal sucedidas. Tais debates devem ser mediados por assistentes sociais e profissionais de saúde, que deverão trabalhar com uma linguagem clara e objetiva, a fim de ampliar o conhecimento e desmistificar preconceitos que permeiam o assunto. Somente assim, trazendo o tema à tona e eliminando o preconceito como fato social, será possível alcançar o equilíbrio proposto por Aristóteles.