Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 04/01/2021
A relação conturbada entre a população e as vacinas é histórico no Brasil, a Revolta da Vacina em 1904 é um exemplo de como a falta de esclarecimento e informação submeteu as pessoas ao medo, seguido de rebelião contra algo que elas não conheciam, a vacina. Ainda que se tenha superado esse passado, através de campanhas informativas dos benefícios da vacinação que permitiu alcançar a erradição de doenças, a realidade atual passa por um novo período de desconfiança da população. Isso ocorre devido a disseminação de fake news e o crescente negacionismo na ciência, o que acarreta em um desafio para garantir a vacinação dos brasileiros e na manutenção do pacto social conquistado ao longo das decádas passadas.
Em razão a um estudo, que culpava as vacinas de ser a causa de crianças desenvolverem autismo, publicado em uma famosa e renomada revista cientifíca, The Lancet, serviu como combustível para os movimentos antivacinas, que até então eram pequenos grupos espalhados, a se unirem e utilizarem a matéria para fomentar e espalhar suas ideias, com o objetivo de adquirir novos integrantes dessa causa. Logo, com a popularização do movimento e mesmo após a comprovação de que o estudo era errôneo, ficou mais fácil disseminar notícias em relação aos efeitos adversos das vacinas, ainda que fossem falsas, pautando-se em teorias conspiratórias, como por exemplo o governo ter interesse financeiro em esconder a realidade dos efeitos da vacina. Como consequência dessas fake news, a taxa de cobertura das vacinas cai a cada ano, e causa a volta de doenças que já estavam erradicadas no país, como o sarampo.
Além disso, esses discursos conspiratórios, e a disseminação de notícias falsas ganham forças a partir do momento em que vivemos um período de negação da ciência. Em virtude de uma crescente onda negacionista nessa área, influenciados na maioria das vezes por discursos religiosos, dificultam a adesão das vacinas pela população brasileira. Uma vez que líderes religiosos dizem que a cura de alguma doença é decisão de Deus, e não se deve interferir com a prevenção através de vacinas proporcionadas pela ciência, por exemplo, dificulta a garantia do direito e dever do cidadão com o pacto social necessário para prevenir o reaparecimento de doenças.
Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde crie projetos de combate as fake news em relação aos efeitos das vacinas, por meio da colaboração de empresas de tecnologias que possam rastrear as fontes dessas notícias para que as autoridades possam aplicar multas a essas. Com a finalidade de punir quem comete ações contra a própria população, pois a não vacinação permite a volta de doenças que podem ser mortais.