Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 13/02/2021
Em 1904, no RJ, a Revolta da Vacina teve como estopim a obrigatoriedade da vacina anti-varíola. Apesar de benéfica à saúde, foi o desconhecimento da população sobre seu funcionamento o que motivou a rebelião, já que se acreditava na mortalidade da substância. Não obstante a passagem de um século, o Brasil atual permanece com o mesmo problema: continuam, no país, tanto a ignorância social acerca do tema - agravada pelas notícias falsas -, quanto a carência de políticas públicas, de modo que ambas constituem desafios para garantir a vacinação dos brasileiros.
Primeiramente, o Dicionário de Oxford escolheu como palavra do ano, em 2016, “pós-verdade”, a qual significa a relativização da veracidade em favor de crenças pessoais e não de comprovações. Diante disso, a resistência à imunização artificial se relaciona a esse termo, uma vez que, impulsionadas por “fake news” - no caso do Coronavírus, por exemplo, elas apontam a ineficácia da substância, posto que, mesmo com a vacina, medidas de isolamento devem ser mantidas -, as opiniões se tornam centro de uma discussão que não necessita de juízos. Com isso, a desinformação mantém os brasileiros em situação análoga àquela ocorrida no início do século XX, tendo em vista o estado de precária consciência da gravidade que é, para a saúde pública, não se proteger contra doenças.
Esse contexto é acentuado pela falta de atuação efetiva do Estado no incentivo à imunização. Isso é comprovado no retorno de enfermidades que haviam sido erradicadas, como a poliomielite e o sarampo - este, até meados de 2020, segundo o Ministério da Saúde, tinha mais de 3600 casos confirmados. Essa situação é provocada pela ausência de campanhas sanitárias eficazes, o que deixa a sociedade em explícito estado abandono, afinal a exposição não é somente às doenças passíveis de prevenção, mas também às informações negacionistas, das quais a ciência e a saúde pública são vítimas.
Destarte, é preciso que a Revolta da Vacina, bem como os desafios à vacinação, seja superada. Para isso, o Ministério da Saúde tem que atuar de forma ativa no combate às doenças e descrenças em relação às vacinas. Em prol disso, é necessária a criação de alianças com institutos científicos, como o Butantan, e com os meios de comunicação, sejam virtuais ou televisivos. Nesse projeto, serão veiculados curtas-metragens sobre enfermidades e imunizações, além de depoimentos das pessoas que não foram vacinadas, visando conscientizar os brasileiros. Ademais, é preciso uma intensa retificação das notícias falsas, a fim de enfrentar a desinformação.