Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 06/03/2021

No livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, é  retratada a crise no sistema público de saúde do século XIX. Na trama, Machado de Assis, ilustre autor modernista, descreve o cenário caótico advindo da epidemia de febre amarela no Brasil em virtude da ingerência do Estado no processo de distribuição de vacinas. Nesse contexto, a obra alude ao cenário brasileiro, uma vez que a carência de insumos para produção de imunizantes, atrelado ao crescente movimento antivacina corroboram os desafios para garantia da vacinação.

Em primeiro plano, é fulcral mencionar que a ingerência governamental na compra de matéria-prima para a distribuição de imunizantes é responsável pela manutenção desse imbróglio na sociedade brasileira. Nessa ótica, a 8° Conferência Nacional de Saúde- responsável pela criação do sistema  público de saúde vigente- defende a distribuição equitária de vacina por meio de campanhas de vacinação. Entretanto, essa prática não é vivenciada na sociedade hodierna, uma vez que a política externa do Governo Bolsonaro é responsável pela ruptura de contratos com os países fornecedores desses insumos, como a China, fato que inviabiliza a compra desses materiais, o que contribuem para a má distribuição de imunizantes nas camadas mais pobres da sociedade.

Ademais, é imperioso destacar a confiabilidade que indivíduos dispõem diante dos veículos de informações virtuais, como as redes sociais, sendo  precursora da problemática. Sob esse viés, René Descartes, ilustre filósofo racionalista, propôs o pensamento cartesiano tendo como base a refutação de uma base teórica para a chegada de um conhecimento não empírico, ou seja, que não seja deturpado pelos sentidos humanos. Não obstante, no que tange o movimento antivacina, as “fake news” agem como o conhecimento empírico na sociedade, sendo ferramentas de fácil persuasão, que impulsionadas pelo compartilhamento dessas notícias instauram a insegurança quanto à eficácia da vacina.

Destarte, é mister a implantação de uma medida a qual vise mitigar os desafios da vacinação. Portanto, o Ministério da Tecnologia, responsável pelo desenvolvimento de leis na esfera virtual,  deve impor sanções que inviabilizem a disseminação de notícias falsas. Essa ação deverá ser realizada por meio da implantação de algoritmos que impeçam o compartilhamento excessivo de determinado conteúdo nas redes sociais, como na política do WhatsApp, a qual informa ao usuário sobre o compartilhamento do conteúdo. Espera-se que tal medida iniba o movimento antivacina no Brasil e reverta o cenário vivenciado na obra de Machado de Assis durante a epidemia.