Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 31/03/2021

A série brasileira “O Escolhido”, lançada pela Netflix, retrata os desafios de três enfermeiros em vacinar a população de um vilarejo no interior do estado do Tocantins. Na obra, os moradores ribeirinhos recusam-se a participar da campanha de vacinação por não acreditarem na eficácia do medicamento. Fora da ficção, a realidade do restante do país caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à vacinação em massa. Nesse viés, percebe-se a configuração de um grave empecilho, em virtude da inoperância do Estado e do excesso de “Fake News”.

É fulcral pontuar, inicialmente, que os aspectos governamentais fazem o problema perdurar. Diante disso, enquanto “O Escolhido” procura, por meio da arte, conscientizar o tecido social acerca da importância da vacinação, como também mostrar a dificuldade do acesso aos locais mais remotos do país, o governo brasileiro revela traços de estagnação. Nesse sentido, a má gestão dos recursos públicos dificulta o acesso da população à vacina, principalmente para os habitantes dos locais mais distantes do centro urbano, como aldeias indígenas, cujo processo de chegada dos imunizantes pode levar até dez dias após o envio, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI). Nesse âmbito, essa negligência dificulta a imunização em massa e fere o direito à saúde, garantido pela Constituição Federal de 1988.

Outrossim, evidencia-se as “Fakes News” como um dos agravantes do imbróglio. Isso se dá porque, hodiernamente, informações não comprovadas pela ciência são propagadas nas redes socias, como “Whatsapp” e “Facebook”, o que corrobora na diminuição da taxa de imunização, devido a uma parcela da sociedade acreditar que as vacinas servem para “implantar chips” ou que são “venenos criados pelos comunistas”. Consequentemente, doenças antes controladas, como o sarampo e a poliomielite, voltam a apresentar taxas preocupantes de contaminação. Dessarte, essa conjuntura deve ser transfigurada.

Torna-se evidente, portanto, que informação é mister para mitigar o avanço do impasse. Logo, cabe ao Governo Federal, instância máxima de poder, por meio dos “royalties” de petróleo, criar uma série de vídeos que serão transmitidos diariamente no horário nobre televisivo, tais quais também serão postados nas redes sociais do Ministério da saúde. Desse modo, a ação será concretizada mediante curtas animações, com o intuito de instruir o público dessas mídias sobre a importância da vacinação, de modo que o número de  vacinados no Brasil cresça. Ademais, o Estado deve aumentar a quantidade de centros de saúde nos locais mais remotos do país. Assim, o tecido social irá viver em uma realidade mais feliz, como a almejada pelos enfermeiros tocantinenses da série da plataforma Netflix.