Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 01/04/2021
A Revolta da Vacina, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro no ínicio do século XX, retrata uma problemática vivenciada pela população brasileira até os dias atuais: a dificuldade de se conquistar a adesão completa aos planos de imunização contra os agentes patológicos transmissíveis. A exemplo disso, observa-se o aumento constante no número de adeptos ao movimento antivacina e a cobertura vacinal insuficiente em diversas regiões do Brasil.
Historicamente, o movimento antivacina iniciou-se conjuntamente aos programas de imunização, tendo seu estopim com a publicação de um estudo que alegava o desenvolvimento do autismo como reação adversa ao imunizante da tríplice viral. Embora esse estudo tenha sido invalidado pela comunidade científica, o movimento antivacina ainda utiliza esse argumento para justificar seu posicionamento, dificultando a erradicação de diversas doenças imunopreviníveis e ocasionando a contaminação e transmissão de vírus já erradicados. Nesse sentido, observa-se a violação de um dos direitos fundamentais da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujo artigo quarto declara: “A liberdade consiste em fazer tudo o que não prejudique o próximo.”.
Atualmente, além da resistência dos grupos antivacina, a falta de cobertura vacinal em diversas regiões do país favorece a queda da aderência à vacinação, especificamente por parte da população carente. Em contraste à Constituição de 1988, que garante saúde a todos - incluindo redução do risco de doenças - como dever do Estado, determinadas cidades do interior do Brasil sofrem com a falta de recursos financeiros suficientes para cobrir o Plano Nacional de Imunização. Além disso, a diminuição das Unidades Básicas de Saúde funcionais disponíveis para o acesso da população, atrelada à queda da oferta das vacinas essenciais, justifica a dificuldade de muitas famílias em manterem seus cartões de vacinação em dia.
Portanto, faz-se necessário o incentivo à imunização no Brasil, visando à diminuição do movimento antivacina e ao aumento da cobertura vacinal no país. Para isso, é de suma importância a ação do Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunologia para divulgação de materiais nas redes sociais oficiais, realizados por médicos e autoridades na área da saúde, que ratifiquem a importância da vacinação como medida preventiva para saúde individual e coletiva. Ademais, é imprescindível que o Estado, por meio de verbas públicas, garanta a funcionalidade integral das Unidades Básicas de Saúde e do Programa Nacional de Imunização em todas as regiões do país, responsabilizando-se pela oferta suficiente das vacinas essenciais à população. Assim, a problemática vivenciada pelos brasileiros desde a Revolta da Vacina poderá ser superada.