Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 24/04/2021

A garantia da vacinação é um problema recorrente na história da humanidade. Na República Velha, no ano de 1904, a Revolta da Vacina emergiu após o governo declarar a obrigatoriedade do ato de vacinar contra a varíola sem que, no entanto, a população compreendesse os benefícios em torno dessa decisão. Hodiernamente, mesmo após décadas de estudos científicos que expliquem a importância da imunização, faz-se presente questionamentos da sociedade a respeito de seu uso. Destarte, a problemática persiste por conta da ineficácia governamental, em investir financeiramente no setor, e da lacuna educacional, responsável por dar acesso ao conhecimento.

Em primeira análise, é importante destacar que, em função da ineficácia governamental, os postos de saúde não se encontram na sua melhor condição. A Constituição Federal de 1988 afirma que é dever do Estado fornecer o acesso à saúde para todos os cidadãos, contudo, pode se dizer, de forma paralela, que chega a ser utópico idealizar que o Estado fornecesse isso com base na situação atual. Para o filósofo iluminista John Locke, o Estado deve ser dividido e a população possui direito de rebelião, se for necessário agir dessa forma para que ela tenha os seus direitos, pois o governante deve fornecer a melhor coisa para os seus cidadãos.

Outro fator existente para a problemática é a lacuna educacional. Segundo dados de uma pesquisa divulgada pela Revista Galileu, em 2019, cerca de 16,5% dos pais brasileiros não confiam em vacinas e desse número, 4,5% recusa totalmente a vacinação. Tal fato ocorre pela falta de informações que a camada social mais pobre recebe. O âmbito acadêmico é o maior responsável pelo conhecimento adquirido por um indivíduo dentro de uma comunidade, é daí que o entendimento surge. Na música “Vacina”, de Amado Batista, no trecho “Não esqueça da vacina,não quero que essa menina sofra também como eu” o autor pede para que os pais - responsáveis legais, levem a garota para ser imunizada. Ademais, esse trecho continua com a estrofe seguinte, “Mas o seu esquecimento me causou esse tormento, nesta cadeira de rodas”, que faz menção que a falta dela acarreta vulnerabilidade à doenças virais, com possíveis problemas futuros.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, promover o projeto “Vacina e Educação”, visando fornecer palestras nos centros estudantis, aberto à população, com médicos, biomédicos e especialistas da área, para que haja explicação acerca da problemática e somado a isso, tenha o momento para solucionar dúvidas. Em complemento a isso, é necessário que haja investimento por parte da esfera federal,  nos postos de saúde, visando a sua melhoria na infraestrutura e assim a população goze dos seus direitos.