Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 04/05/2021

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: “doenças erradicadas estão voltando!” Nessa perspectiva, novos dados do Ministério da Saúde revelaram, por exemplo, 7 mil novos casos de sarampo no Brasil, embora o país já tenha recebido, há quatro anos, um certificado internacional de eliminação da doença. Logo, como medida de prevenção, a imunização periódica é a arma mais eficaz contra essa e outras epidemias. Nesse contexto, ações de combate à desinformação e às campanhas antivacinas são os desafios a serem perpetrados pelo Estado para garantir a vacinação dos brasileiros.

Com efeito, o combate à desinformação é um dos principais desafios para garantir, por meio da vacinação, a saúde dos brasileiros. Tal intento justifica-se porque, mesmo na pós-modernidade, com a velocidade de informações compartilhadas e por inocência ou malícia, as pessoas não buscam a verdade e, assim, reforçam boatos e disseminam notícias falsas. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunização (SBI), 67% dos brasileiros acreditam em pelo menos uma afirmação falsa sobre as vacinas como, por exemplo, a possibilidade de contraírem a doença da qual deveriam ser imunizados. Como consequência, a falta de informação, além de pôr em risco a saúde e a prevenção de doenças, contribui com o aumento de novos surtos arrasadores de epidemias e, com isto, milhares de mortes.

Outrossim, atreladas à desinformação, as campanhas antivacinas também são uma ameaça à garantia da vacinação como proteção à saúde dos brasileiros e devem ser combatidas. Isso ocorre em virtude de, hodiernamente, por meio das redes sociais, veicularem teorias conspiratórias que influenciam negativamente a tomada de decisão das pessoas, deixando-as inseguras e com medo de imunizarem-se. Conforme dados recentes do Datafolha, por exemplo, mais da metade da população paulista com renda acima de dez salários mínimos se opõe à vacinação contra o coronavírus, alegando a provocação de “outras doenças no sangue”. Como resultado, enfermidades difíceis de serem controladas permanecerão mais tempo na população e com riscos severos de contágios e mortes.

Urge, portanto, que a desinformação e as campanhas antivacinas sejam eliminadas no país. Desta forma, o Governo Federal deve, junto ao Ministério da Justiça e aos meios de comunicação de massa, criar uma política de combate massivo às “fake news”, por meio de ferramentas digitais de rastreio e identificação permanente de domínios e contas que disseminam notícias falsas sobre vacinas, com responsabilização civil e penal, de forma a assegurar a saúde pública. Além disso, o Estado deve criminalizar, como atentado à saúde e risco à vida das pessoas, as ações dos movimentos antivacinas. Assim, com estes desafios, a vacinação será, por fim, garantida como a única e a mais importante medida protetiva para a saúde, a prevenção de doenças e o aumento da expectativa de vida.