Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 14/05/2021
No início do século XX, ocorreu no Rio de Janeiro uma grande revolta popular após o poder público decretar obrigatória a vacinação contra varíola, o que abismou a população que consentia estar sendo envenenada pelo governo. Sabe-se que tal temor das vacinas foi praticamente erradicado no país ao longo das décadas. Entretanto, nos últimos anos o número de pessoas vacinadas tem se reduzido exponencialmente, como resultado, pode-se observar a presença, alarmante, de indivíduos desprotegidos de graves doenças. Sendo assim, a precarização dos serviços de saúde, bem como a desinformação de setores da população são fatores que contribuem para a perpetuação desse quadro deletério na sociedade brasileira.
É importante pontuar, de início que a falta de estrutura nos postos de saúde e hospitais compromete a eficácia da imunização em escala nacional. Isso se explica porque, apesar da Carta Magna de 1988 garantir o direito à saúde, a má gestão dos recursos públicos e a corrupção comprometem a qualidade dos serviços prestados, dificultando o acesso da população à vacinação. Comprova-se isso no contexto de que muitas vacinas destinadas a doenças como sarampo, rubéola, caxumba e H1N1, não estão disponibilizadas em diversas cidades, sobretudo, com pouco recursos. Tudo isso retarda a resolução desse imbróglio e requer, urgentemente, a modificação desse cenário.
Cabe ressaltar, também, os dados do jornal BBC e da Globo, no Brasil, o número de vacinações contra a poliomielite diminuiu cerca de 20% na última década e, em 2017, o Ministério da Saúde (MS) não conseguiu cumprir as metas definidas de vacinações para nenhuma enfermidade. Tais dados são reflexos de uma onda de recusas de pais em vacinarem seus filhos e a si mesmos. Sendo assim, nota-se que a principal causa para esse contexto são as “fake news”, notícias falsas que circulam pelo país, na qual fazem os indivíduos acreditam que ao usufruírem da vacina estarão expostos a sérias reações, como perder o movimento de membros, contrair doenças ou mesmo falecer. Essas “notícias” estão se tornando cada dia mais frequentes e contribuindo para a consolidação dessa problemática.
Portanto, fica evidente a necessidade de ações efetivas para assegurar a imunização e, assim, saúde à população, direito esse definido na Constituição Federal. Assim sendo, é dever do Ministério da Saúde em parceria com a mídia desenvolver uma campanha publicitária que informe a população sobre a importância da vacinação, demostrando a realidade das consequências de não se imunizar e desmentindo as “fakes news”, para que os cidadãos tenham consciência da questão. Ademais, é essencial que a sociedade civil cobre de seus representantes, por meio de participação política, melhor estrutura e aumento dos recursos para a saúde pública, a fim de que isso não seja mais um impasse.