Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 17/05/2021
A música “Imaginie”, do cantor John Lennon, carrega a utopia de um universo sem demarcações, no qual a comunidade se encontra em pleno funcionamento. Todavia, esta fantasia está cada vez mais longe da realidade brasileira, uma vez que a garantia da vacinação no Brasil apresenta desafios, os quais dificultam essa concretização do universo de Lennon. Esse cenário antagônico é efeito tanto da carência de informações, quanto da ineficácia estatal. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses fatores.
Em primeira análise, é importante salientar a falta de conhecimento como impulsionadora dessa problemática. Nesse viés, é dever do Poder Público atuar com clareza e elucidar a população, situação que age contrária ao episódio ocorrido em 1904, no qual a Revolta da Vacina deu-se com o decreto do Governo à população, acerca da obrigatoriedade da imunização contra a varíola. De forma análoga, a comunidade não tem ao seu alcance informações suficentes quanto à ciência básica mediante a vacinação e, consequentemente, menospreza tal conduta. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dessa condição.
Indubitavelmente, a ineficiência estatal é uma das causas dessa questão. Conforme a Constituição Federal de 1988, promulgada por Ulysses Guimarães, a saúde e o bem-estar social são direitos inalienáveis, sendo do Estado o papel de promoção dessa prerrogativa. Entretanto, a carência de políticas públicas para com as campanhas de vacinação, faz com que o cidadão não tenha a garantia de uma imunização efetiva. Assim, há o fortalecimento da premissa do jornalista Gilberto Dimenstein, evidenciada em seu livro “O Cidadão de Papel”, que “tais leis residem tão somente na teoria”. Nessa óptica, é inadimissível que esse cenário persista.
Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas para atenuar o panorama desafiador. Para isso, o Ministério da Educação, órgão responsável pela execução das políticas educionais do país, juntamente com o Ministério da Saúde, deve, por meio de campanhas educativas efetivas, promover a democratização do acesso à informação com relação à imunologia e à ação da vacina no corpo humano, a fim de conscientizar e cessar as desinformações que circulam, principalmente, no meio midiático. Além disso, o Ministério das Comunicações, deve, através de ficções engajada, estimular a capacitação de entendimento da população, visto que muitos brasileiros acompanham esse tipo de entretenimento televisionado. Desse modo, atenuar-se-á, gradativamente, o impacto nocivo dos desafios da vacinação na realidade brasileira, e a comunidade alcançará a utopia de Lennon.