Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 24/05/2021
No século XIX, durante a Revolta da Vacina, após a vacinação ser decretada como obrigatória, substancial parcela da população brasileira protestou contra a vacinação em razão da precaridade de informações acerca de sua eficácia. Similarmente a essa época, ainda há quem discorde das campanhas de saúde e quem repudie veementemente essa iniciativa. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de informação a respeito da vacina, mas também pela persistência e pela popularidade das campanhas antivacina.
Deve-se pontuar, de início, que a carência de conhecimento- no que tange os objetivos da vacina- apresenta íntima relação com a falta de políticas informativas. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo polonês, as instituições governamentais- configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Nesse sentido, definido como zumbis por Bauman, as medidas e as políticas públicas acabam por falhar no âmbito da saúde populacional, uma vez que as estratégias de instrução e de esclarecimento não são eficazes.
Ressalta-se, ademais, que o movimento negacionista impõe forte influência no direito fundamental dos cidadãos: a vacinação. Consoante ao Oswaldo Cruz, epidemiologista precursor da Revolta da Vacina, o caminho para o combate às doenças é por meio da medicina preventiva. Entretanto, o movimento articulado antivacina associa diversos estigmas e mitos- ineficácia, instrumento invasivo, vetor para doenças- à vacina, que atingem amplamente a sociedade verde e amarela e, consequentemente, influencia- negativamente- a opnião social sobre seus objetivos na prevenção da saúde populacional.
Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no decorrer da vacinação dos brasileiros. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Saúde- órgão de maior autoria na construção de estratégias contra enfermidades-, conjuntamente a mídia, divulgar informações a respeito da vacina por meio de campanhas educativas nas redes sociais e nos postos de sáude, com objetivo de desvincular estigmas e desinformações da vacinação e garantir a sua aplicabilidade na população. Feito isso, a sociedade brasileira poderá caminhar para a plenitude da efetização dos elementos elencados na Carta Magna.