Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 07/06/2021
No século XIX, durante a Revolta da Vacina, após a vacinação ser decretada como obrigatória, parcela substancial da população brasileira protestou contra a vacinação em razão da precaridade de informações sobre sua eficácia. Similarmente a essa época, ainda há quem discorde das campanhas de saúde e quem repudia veementemente essa iniciativa. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de informação a respeito da vacina, mas também pela persistência e pela popularidade das campanhas antivacina.
Deve-se pontuar, de início, que a carência de conhecimento- no que tange os objetivos da vacina- apresenta íntima relação com a falta de políticas informativas ao seu respeito. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo polonês, as instituições governantes-configuradas como zumbis- perderam suas funções sociais, todavia, tentam personal-las a todo cost. Nesse sentido, definido como zumbis por Bauman, as medidas e políticas públicas acabam por falhar no âmbito da saúde populacional, uma vez que as políticas de instrução e de esclarecimento não são eficazes. A prova disso, conforme índices do Programa Nacional de Imunização, no ano de 2016, 15% da população não foi vacinada o que, consequentemente, resulta na meta de aplicação dos imunizantes e nos planos de saúde vigentes.
Ressalta-se, ademais, que o movimento negacionista impõe forte influência no direito fundamental dos cidadãos: a vacinação. Consoante ao Oswaldo Cruz, precursor epidemiologista da Revolta da Vacina, o caminho para o combate às doenças é por meio da medicina preventiva. Entretanto, o movimento articulado antivacina associa diversos estigmas e mitos- ineficácia, instrumento invasivo, vetor para doenças- à vacina, que se manifesta amplamente a sociedade verde e amarela e, por conseqüência, influencia- negativamente- a opinião social sobre seus objetivos na prevenção da saúde populacional.
Evidencia-se, portanto, a persistência de preferência no decorrer da vacinação dos brasileiros. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Sáude- órgão de maior autoria na construção de estratégias contra enfermidades-, conjuntamente com a mídia, divulgar informações a respeito da vacina por meio de campanhas educativas com objetivo de desvincular estigmas e desinformações da vacinação e garantir sua aplicabilidade na população. Feito isso, a sociedade poderá caminhar para a plenitude da efetivação dos elementos elencados na Carta Magna.