Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/06/2021
O documentário ‘’Caminhos da Vacina’’ mostra os desafios de uma população que, devido a falta de vacinas, regista um grande número de óbitos de crianças menores de um ano por sarampo, meningite, cólera e febre amarela. Na esteira desse processo, essa é a realidade de inúmeras pessoas no Brasil que, devido a falta de informação e investimentos governamentais, não tem acesso adequado a vacinação. Nesse sentido, as consequências ocasionadas por esse problema contribuem para o surgimento de doenças erradicadas, afetando, assim, o bem-estar dos indivíduos e o sistema de saúde. Diante desse cenário, é imperioso salientar que, mesmo com a atuação do Estado, o Brasil sofre com a baixa cobertura vacinal. Nesse viés, segundo o Programa Nacional de Imunização (PNI), a vacinação adequada no país sofreu uma queda de mais de 40%, tornando-se uma preocupação ao setor de saúde pública. Nessa perspectiva, a queda na cobertura de imunização tem como fator principal a propagação de notícias falsas nas redes sociais que, como consequência, geram a recusa dos indivíduos em vacinar-se e de pais em imunizar seus filhos. Assim, para o filósofo Achille Mbembe, a falta de investimentos governamentais em saúde, principalmente em termos de vacina, contribuem para o avanço da necropolítica, escolhendo, assim, quem vive e quem morre. Logo, tais fatos configuram-se como barreira rumo ao desenvolvimento da maquinaria social.
Por essa ótica, a terra verde e amarela carrega em seu bojo as sequelas desse estigma social. De acordo com o médico e especialista Dráuzio Varella, a volta de doenças erradicadas como sarampo, pólio e meningite estão inteiramente ligadas a baixa adesão e cobertura de imunizantes no país. Nessa visão, somente em 2018, foram registrados mais de 10 mil casos de sarampo no Brasil e 12 mortes, sendo, em sua maioria, de crianças. Assim, é visível que, apesar do corpo social brasileiro ser referência no que tange a vacinação, a falta de informação acerca dos imunizantes e seus benefícios, tornam-se um impedido para a efetivação e continuidade da saúde individual e coletiva.
Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater essa mazela social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as mídias digitais, criar propagandas, principalmente nas redes sociais, com o intuito levar informação a respeito da vacinação, seus benefícios e, também, os problemas gerados pela sua falta de adesão. Ademais, as escolas, em parceria com médicos e especialistas, devem fazer palestras voltadas para pais e responsáveis, a fim de tirar dúvidas sobre imunização na infância, desmitificando todas as informações falsas e abordando a sua importância para o não surgimento de doenças erradicadas. Feito isso, o Brasil retratado em ‘‘Caminhos da Vacina’’ conhecerá, de fato, uma nova realidade.