Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 07/08/2021

No século XXI, o mundo enfrentou dilemas gerados pela pandemia do novo vírus: o COVID-19. Contudo, apesar dos demais países investirem em medidas de isolamento e de vacinação, no Brasil, o movimento antivacinação, impulsionado pelo negacionismo e pela difusão de notícias falsas, contribuiu com a disseminação da doença, o que retarda a ação do Sistema de Saúde Pública. Nessa perspectiva, faz-se imprescindível analisar como o senso comum e as “Fake News” influenciam o comprometimento do tecido social com a vacinação e os impactos gerados por essa postura no bem estar nacional.

Precipuamente, sabe-se que o mito é criado na tentativa de explicar o que não se entende, de forma símile, a falta de informação gera desconfiança e insegurança na sociedade, a qual passa a questionar métodos científicos e a tentar explicar a realidade a partir do senso comum. Por analogia, no século XX, o Rio de Janeiro foi palco da Revolta da Vacina, levante popular contra a obrigatoriedade da vacinação, na qual um dos fatores intensificadores foi o mito de que a vacinação era uma manobra do governo  para diminuir o contingente democrático mais pobre. Sob esse viés, atualmente, as notícias falsas, as quais já circulavam com facilidade, ganham proporções incomensuráveis com o advento dos meios de comunicação, como a internet, logo, alcançam civis que deixam de acreditar na imunização.

Outrossim, a negligência individual com a atualização da vacina facilita a volta de doenças erradicadas. Com efeito, embora o Brasil detivesse um certificado de país livre de doenças - o qual foi conferido pela Organização Pan-americada de Saúde - o país verde-amarelo perde tal prestígio com o surto de sarampo, em 2018, causado pela queda na vacinação. Em consonância com Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista: “A falta de autonomia dos cidadãos resulta em dificuldades da sociedade em progredir”. Assim, o desleixo do corpo social brasileiro com a saúde promove um retrocesso, visto que doenças que já foram controladas voltam a se manifestar nos civis. Por conseguinte, depreende-se que a vacinação é uma responsabilidade periódica que não deve ser subestimada.

Infere-se, portanto, que a ignorância acerca da ciência é um dos desafios que dificultam a vacinação no Brasil e o motivo pelo qual a população não detêm a capacidade de filtrar as informações falsas. Desse modo, o Ministério da Saúde deve criar um cartão de vacinação digital, por meio de aplicativos ou sites, que notifique o período de vacina e detenha todas as informações sobre a ação da vacina, as notícias falsas e se o civil já tomou todas as doses. Ademais, a Câmara Legislativa, pela criação de leis, deve restringir a entrada de cidadãos não vacinados em determinados eventos e estabelecimentos, como shows, cinema e teatros, a fim de incentivar a vacina e impedir a proliferação de doenças em espaços fechados. Dessarte, espera-se informar a sociedade e incentivar o interesse pela imunização.