Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 08/08/2021
Consoante às afirmações do sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, formado em 1992 na Universidade de São Paulo (USP), o Brasil é a simbiose entre o moderno e o arcaico, pois, apesar de progressos nas últimas décadas, ainda há obstáculos que impedem seu avanço. Dentre esses óbices, destaca-se os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros, uma vez que os indivíduos que moram no interior ou possuem uma escassez de conhecimento ainda são afetados. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental acerca no espectro brasileiro. Nesse viés, consoante à concepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Saúde tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, não só pela carência de campanhas de conscientização acerca do porquê se vacinar, mas também pelo pouco espaço destinado à vacinação em cidades menos urbanizadas. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e não garante a todos os cidadãos brasileiros a vacinação.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram ataques contra a ciência, o que gerou frutos como o movimento antivacina. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, o conhecimento será desprezado e a importância de se vacinar continuará sendo rejeitada.
Dessarte, fica claro que a gênese do tema é o descaso das instâncias públicas aliado à ignorância social. Assim, urge que o Ministério da Saúde faça campanhas de conscientização didáticas acerca de como funciona a vacina, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia a partir do conhecimento. Outrossim, esse instituto deve investir em infraestrutura em cidades menos urbanizadas, para que todos os cidadãos possuam acesso à vacina. Espera-se, com isso, que o Brasil deixe o arcaico no passado e rume ao progresso.