Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 25/08/2021
A Revolta da Vacina foi uma mobilização popular contra a vacinação obrigatória no Rio de Janeiro em 1904. De maneira análoga a tal evento histórico, hodiernamente, no Brasil, existe um preocupante movimento antivacina, devido às notícias falsas propagadas nas mídias e à falta de informação sobre a importância da imunização contra doenças. Desse modo, fica evidente que o debate acerca dos desafios para garantir a vacinação é essencial.
De início, é fundamental destacar as “fake news” como um obstáculo a ser superado. Isso porque a adesão à vacina é prejudicada por informações errôneas que são transmitidas na internet, por exemplo, a circulação da notícia falsa de que a vacina contra o Coronavírus (COVID-19) modificaria o DNA humano. Nesse contexto, o compartilhamento de referências inverídicas pode se relacionar com o conceito de “violência simbólica”, teorizado pelo sociólogo francês Pierre Bordieu, já que é uma ação violenta mesmo sem coação física, ou seja, a propagação de informações ilegítimas sobre a vacina prejudica toda a sociedade, visto que fomenta o não engajamento à vacinação. Sob essa ótica, torna-se inegável que tal idiossincrasia é nociva e necessita de combate.
Outrossim, é pertinente também ressaltar que o desconhecimento acerca da imprescindibilidade do ato de se vacinar é uma problemática. Um exemplo de situação análoga a isso é o que ocorre no “Mito da Caverna”, elaborado pelo filósofo grego Platão, em que indivíduos aprisionados em uma gruta ficam alienados por enxergarem apenas a sombra refletida nas paredes, a qual tomam como verdade absoluta. À luz disso, os cidadãos, baseados em opiniões empíricas, tais quais os homens da alegoria platônica, acabam propagando informações ignorantes e, por conseguinte, desconsiderando a vacinação como fator primordial à manutenção da saúde, não só individual, como também geral da nação. Assim, fica claro que conter a desinformação perante a importância da vacina é mister.
Em face do exposto, portanto, medidas são cruciais para viabilizar a garantia da vacinação da população brasileira. Logo, cabe ao governo federal, mediante um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, contratar profissionais formados em Tecnologia da Informação, a fim de formar uma rede de identificação de notícias falsas e denunciá-las, diminuindo, dessa maneira, sua propagação. Ademais, compete ao Ministério da Saúde criar uma campanha de incentivo à vacinação, por meio da divulgação de pessoas influentes se vacinando em veículos midiáticos, como a televisão -de fácil acesso e alcance em massa-, com o fito de instigar a população a reconhecer a necessidade e a importância da vacina e, dessarte, seguir o exemplo dos famosos e aderir à vacinação. Feito isso, movimentos semelhantes ao de 1904 poderão ser atenuados.