Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 02/09/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), proposta em 1948, prevê a todos os indivíduos o direito à saúde. No contexto brasileiro, todavia, esse legado não é efetivado, devido ao movimento anti-vacina, que implica dilemas sociais e culturais. Esse cenário, então, não só denota prejuízo à coesão social, como também fomenta a atuação mais incisiva do poder público e da sociedade civil para transformarem essa realidade. Tal problemática, em suma, deve-se ao avanço tecnológico, bem como à exígua informação da população.
Em uma primeira análise, nota-se que a tecnologia é um meio para a propagação da onda anti-vacina, pois a partir da Revolução Técnico-Científica-Informacional, termo trazido pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, as redes sociais tornaram-se o principal meio de comunicação da sociedade. Sob esse prisma, a disseminação de informações equivocadas no meio cibernético ratifica de forma errônea o movimento contra a vacinação. Exemplo disso é a veiculação nas mídias digitais, como o “Facebook”, que a vacinação provoca malefícios para o corpo humano, legitimada pelas “Fakes News”. Isso resulta, por conseguinte, no reaparecimento de doenças erradicadas, no caso o sarampo, em razão da não imunização das pessoas.
Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, a falta de conhecimento da sociedade a respeito da vacinação é um problema. Prova disso é a Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro, que a população se colocou contra a medida sanitária do prefeito Perreira Passos e do médico Oswaldo Cruz por não ter instrução suficiente para tal procedimento governamental. De forma análoga, os indivíduos da modernidade deixam de se vacinar pelo diminuto discernimento da imunização ativa, a qual se caracteriza pela inoculação de um antígeno para estimular o corpo a produzir anticorpos. No entanto, alguns sintomas desse procedimento são considerados ruins pela população, apesar de estarem dentro da normalidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E, assim, elas reproduzem, no âmbito cultural, os supostos prejuízos da vacinação.
Percebe-se, portanto, que o direito à saúde seja assegurado conforme a DUDH, com o intuito de garantir a vacinação dos brasileiros. De início, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas publicitárias na conjuntura da Revolução de Milton, por meio das redes sociais, que informem sobre a vacina e sobre a averiguação das “Fakes News”, com o objetivo de evitar a “onda” anti-vacina. Paralelo a isso, o Ministério da Educação deve criar projetos, desde o ensino fundamental, mediante atividades educativas associada à aula de Biologia, as quais abordem a importância da vacinação, com a finalidade de descontruir, de maneira paulatina, o paradigma cultural acerca da imunização ativa.