Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 29/09/2021

No final do século XX, Ulisses Guimarães assinou a Carta Política capaz de assegurar a todos os brasileiros o direito à saúde de qualidade. Todavia, as garantias previstas pela Lei Maior representam, na verdade, uma utopia no Brasil, haja vista os desafios existentes para garantir a vacinação. Com efeito, a solução pressupõe que se combatam não só a ineficiência governamental, mas também a desinformação.

Nesse contexto, no ano de 1904, ocorreu a histórica Revolta da Vacina, pelo fato de o médico Oswaldo Cruz ter tornado a vacinação contra a varíola obrigatória sem antes promover a conscientização adequada sobre os benefícios da imunização de rebanho. Ocorre que, mesmo depois de tantos anos, o governo se mantém falho no que concerne à promoção da vacinação em massa. Isso é resultado da não divulgação em relação a como é fabricada a vacina e de como ela atua no corpo humano desenvolvendo as células de memória. Nesse viés, enquanto a regência brasileira se mantiver ineficaz, a imunização permanecerá com obstáculos para se efetivar.

Sob outra análise, o filósofo e sociólogo Pierre Lévy, descreve a sociedade atual como hiperconectada. Nesse sentido, as redes sociais, que são propulsoras dessa extrema conexão, não promovem apenas vantagens, mas também diversas desvantagens. O problema é que a internet também é veículo de movimentos anti-intelectuais, como o antivacina, em que pessoas alienadas propagam informações falsas, que em um efeito dominó alienam outras pessoas ignorantes que mantêm o ciclo. Logo, a hiperconexão utilizada de forma inconsequente, prejudica todo um avanço nacional.

Portanto, visando amenizar a problemática, o Ministério da Saúde em parceria com a mídia devem promover propagandas que expliquem - de forma didática - a verdadeira função da vacina e como a imunização acontece. Essa iniciativa poderia se chamar “Vacina: seus benefícios e sua trajetória até a imunização” e, aconteceria por meio da divulgação em todas as plataformas midiáticas, em busca de alcançar o maior público possível. Dessa forma, a associação anti-intelectual não encontrará pessoas desinformadas para alienar. E, somente assim, o direito à saúde deixará de ser uma utopia no Brasil.