Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 20/10/2021

A Constituição Federal de 1988, criada no período de redemocratização do Brasil, previu a organização de um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS). Por intermédio dele, a erradicação de doenças, como a malária e a febre amarela, foi alcançada ainda no século XX, graças ao Programa Nacional de Imunização (PNI). Entretanto, no contexto contemporâneo, obverva-se desafios para garantia da vacinação dos brasileiros, em virtude, sobretudo, falta de preocupação da população associada às falsas informações.

Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que o desconhecimento acerca da pericolosidade das doenças é um impeditivo para a garantia da vacinação. Sob essa aspecto, o filósofo Kant, em sua tese, preconiza : “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Nessa perspectiva do pensador, evidencia-se que, problemas como a garantia da imunização coletiva, tem como bases uma lacuna educacional. Tal fato é evidenciado ao observar o quadro jornalístico “Profissão Repórter” que, em episódio sobre a temática, demonstrou que, no país, pesquisas demonstaram que cerca de 60% dos entrevistados não acreditam ser necessário se imunizar. Como consequência da ausência de conscientização, a resolução do quadro se torna desafiador.

Ademais, outro fator que corrobora o cenário atual é a disseminação em massa de notícias falsas acerca do processo de vacinação. Sob esse aspecto, a jornalista Gabriel Prioli, em entrevista para a rede de televisão “CNN Brasil”, argumentou que o avanço de movimentos de negacionismo científicos, típicos da extrema direita política brasileira, gerou, nos últimos anos, a produção e divulgação das “fake news” em uma escala jamais vista até então. Em decorrência disso,  a segurança do processo vacinal tem sido contestada e, por consequência, parcela da população tem levantado a bandeira em um movimento conhecido como “antivacina”, o que acabou por acentuar o problema em questão.

Fica claro, portanto, que a resolução do problema encontra barreiras no âmbito educacional atrelado ao consumo de informações negacionistas. Urge, logo, que o Ministério da Saúde, por meio de uma parceria com a mídia, crie um plano de conscientização sobre a vacinação no país. Tal plano deve contar com a entrevista de profissionais especialistas, como médicos, biólogos e agentes de saúde, acerca da importância da vacinação, não somente para o indivíduo, mas também para a sociedade como um todo. Esse processo pode ser impulsionado, ainda, pela divulgação dessas campanhas nas redes sociais e na rede de televisão aberta, para que o maior número possíveis de brasileiros compreender a importância desse ato. Somente assim, o preceito constitucional será efetivado na prática.