Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 23/10/2021

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa, reconhecida como problema de saúde pública , sendo erradicada na década de 80 a partir do desenvolvimento da vacina pelo virologista Jonas Salk. Entretanto, a negligência às campanhas de vacinação fragilizam a conquista de Salk e põe em risco a saúde pública. Tal situação possui raízes no descaso estatal na efetivação das campanhas e no crescente movimento antivacina.

Diante disso, defasagem estatal na ampliação da cobertura vacinal bem como no fornecimento de vacinas representa um obstáculo para a imunização no Brasil. Nesse sentido, o artigo 196 da Constituição Federal assegura a todos o direito a saúde, sendo dever do Estado sua efetivação. Sob essa ótica, o artigo se mostra utópico na realidade, haja vista a ineficiência de municípios em oferecer esse serviço em postos de saúde - a exemplo da falta de vacinas de sarampo e caxumba- além do déficit de postos em áreas periféricas e rurais, o que torna claro o descaso estatal na promoção da saúde. Logo, é contraditório que, mesmo sendo uma nação pós moderna, a falha nos mecanismos de garantia ao bem estar ainda seja vigente.

Além disso, a internet e as redes sociais deram voz a todos, em especial para os propagadores de ideias falsas, tal como ideias antivacina, a medida que influenciam parte da população a não se vacinar. Nessa perspectiva, o sociólogo Pierry Levy descreve em sua teoria " Sociedade Hiperconectada", a forma com que a internet coopera na circulação de ideias e notícias -bem como de fake news-. Em vista disso, a hiperconexão descrita por Levy trás consigo deformidades, tal como os promotores do movimento antivacina , que agem como forma de atraso social, o que acarreta, o reaparecimento de doenças antes erradicadas, a exenplo do sarampo e a catapora. Assim, as ideias antivacina propagadas principalmente em mídias digitais, inviabilizam a vacinação e coloca em risco a saúde comum.

Portanto, com vistas a promover a plena saúde pública e, assim, efetuar a imunização, o Ministério da saúde, deve promover a ampliação da cobertura vacinal em periferias e zonas rurais e a compra de vacinas em quantidades suficientes, além de promover o letramento acerca do tema vacinal. Para tanto, essa ação deve ser realizada mediante projetos periódicos, coordenados por médicos virologistas, a exemplo de seminários em praças públicas e escolas, nos quais serão esclarecidos a real função e importância da vacina para a promoção da saúde pública, além de desconstruir as ideias infundadas do movimento antivacina, porque, dessa maneira, a conquista feita por Jonas Salk será valorizada e efetuada na garantia da saúde coletiva.