Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 09/11/2021
A primeira vacina foi criada em 1796, pelo médico Edward Jennes, em um contexto no qual a ciência era limitada e a abrangência do conhecimento também, permitindo assim que receios e mitos recaíssem sobre o imunizante recém surgido, esses que não podiam ser revertidos tanto pelas limitações científicas quanto pela concentração de informação da época. Entretanto, hodiernamente, a tecnologia é capaz de propiciar a compreensão sobre as funcionalidades da vacina e mesmo assim há uma grande resistência dos brasileiros a ela, frutos de uma persistente desinformação e também do negacionismo, esses que precisam ser combatidos para assegurar a imunização da população.
Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil enfrenta uma realidade de desigualdade social em que parte da população não possui acesso à instrução, tornando o conhecimento, inclusive sobre a vacina, intangível para algumas pessoas e, por isso, desconfiança e hesitação permeiam o assunto, impedindo que muitos cidadãos procurem pelo recurso, uma vez que mesmo existindo a mais de 200 anos, ainda é algo “desconhecido”. Eventos como a “revolta da vacina”, ocorrida no Brasil em 1904, em que a população foi às ruas em protesto contra a vacinação forçada, ilustram o fato de a desinformação precisar ser combatida antes da utilização da vacina, para evitar rejeição por parte dos brasileiros.
Ademais, há uma tangente da desinformação que também prejudica o sucesso da vacinação no Brasil: o negacionismo. Termo voltado à parcela dos brasileiros que possuem acesso à informação, mas negam esse conhecimento científico perante suas convicções pessoais, ou seja, descredibilizam a vacina em detrimento de crenças próprias e sem embasamento em métodos científicos. A difusão de discursos negacionistas é responsável por desmotivar o público a buscar a imunização, como é o caso do “movimento antivacina”, grupo de pessoas que pregam a ineficácia do imunizante, organização que, portanto, precisa ser erradicada para que menos pessoas angariem simpatia pelo movimento.
É notório que a desinformação é o principal empecilho quando o objetivo é assegurar a vacinação dos brasileiros, tanto no caso da falta de acesso quanto da negação, e sendo a saúde um direito básico garantido pela Constituição federal, cabe ao ministério da saúde em associação com o da educação elaborar campanhas de ampla abrangência e acessíveis a todos os níveis de instrução, que informem a população sobre o funcionamento da vacina, para assim desmistificar sua função e trazer segurança aos brasileiros em relação ao seu uso.