Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 11/11/2021
Edgar Morin, célebre sociólogo contemporâneo, desenvolveu em seus escritos a epistemologia do “pensamento complexo”, cuja principal característica consiste em dar respostas aos problemas sociais em função da complexidade das ligações que os produzem. Segundo a lógica moriniana, faz-se preciso, portanto, discutir com profundidade a problemática que envolve as campanhas de vacinação no Brasil. Desse modo, convém analisar a complexa relação entre a negligência estatal e a escassez de informação.
Inicialmente, vale ressaltar que o déficit de investimento governamental dificulta a consolidação das campanhas de vacinação, haja vista, o seu caráter de realização pontual. De acordo com o filósofo John Rawls, o governo deve disponibilizar recursos para investimentos na estrutura básica da sociedade com base na justiça equitativa. Entretanto, percebe-se que, no território nacional, há a recorrência do modelo médico-hegemônico - focado no tratamento de doenças - que atrapalham o desenvolvimento de um planejamento vacinal eficiente contínuo, já que o Estado, mesmo sendo responsável por promover a prevenção da saúde de modo holístico aos seus cidadãos, não cumpre o seu devido papel. Logo, é inadmissível que tal situação se perpetue, pois traz consequências gravíssimas, como o aumento da incidência de doenças que podem ser ser prevenidas.
Em seguida, é relevante examinar a desinformação populacional sob a perspectiva filosófica de Jurgen Habermas. Segundo o pensador, a razão comunicativa constitui em uma etapa fundamental no desenvolvimento social. Nesse contexto, a falta de diálogo a respeito da importância da vacina faz com que haja ainda mais a perpetuação do descuido social no campo da imunização, pois percebe-se uma expressiva resistência à vacinação na nação verde-amarelo. Assim sendo, discorrer criticamente a problemática é um caminho possível para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano, especialmente no atual cenário de pandêmico.
Fica claro, portanto, que o Governo, em parceria com o MEC, deve financiar um projeto midiático que vise informar a população sobre a importância da imunização. Isso deve ocorrer por meio de propagandas televisivas e de reportagens, com a participação de profissionais competentes e membros da comunidade, a fim de sensibilizar os indivíduos quanto aos seus direitos preventivos de saúde e mobilizar a população. Dessa forma, a sociedade poderá superar os desafios da imunização no país, que se revelam verdadeiramente complexos, conforme o pensamento de Morin.