Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 21/11/2021
Cultura de desigualdade
A Constituição cidadã de 1988, embora postule, na teoria de seu artigo 196, que a saúde é direito do cidadão e dever do Estado, não é efetiva na prática. Nesse sentido, a cobertura vacinal da população brasileira ainda é deficiente, na medida em que enfrenta diversos desafios. Frente a isso, existe a necessidade de uma melhor gestão pública relativa à imunização, bem como, de fornecer à população esclarecimentos acerca do tema.
Em primeira análise, existe uma grande importância de órgãos competentes para gerir a saúde pública. A esse respeito, embora o Programa Nacional de Imunização Brasileira (PNI) seja uma referência mundial, ainda encontra obstáculos, como no caso da distribuição eficaz da vacina para regiões remotas. Tal situação pode ser exemplificada pelo segregacionismo regional, em que o acesso de um cidadão paulistano a um imunizante não é o mesmo que o de um amazonense. Dessa forma, é indispensável a realização de um mapeamento das regiões, identificando os impedimentos, a fim de promover a inclusão, desconstruindo uma cultura de desigualdade.
De outra margem, para que o Estado consiga abranger uma ampla cobertura vacinal, precisa promover a conscientização de sua população. Essa medida é imprescindível, a fim de que seja evitado o equívoco da obrigatoriedade cometido no início do século XX, que culminou na revolta da vacina, no Rio de Janeiro. Isso porque, os esclarecimentos acerca dos mecanismos de ação, possíveis efeitos colaterais, taxa de eficácia e segurança dos imunizantes determinam uma maior confiança no indivíduo. Logo, terá evitado problemas de desinformação, favorecendo sua aceitação e promovendo a prevenção de doenças infectocontagiosas em âmbito mais amplo.
É urgente, portanto, que os desafios para garantir a vacinação dos brasileiros sejam encarados com seriedade. Para isso, o Ministério da Saúde deve, por meio de políticas públicas, criar um eficiente mapeamento de locais remotos - especialmente nas regiões de difícil acesso -, tanto inserindo unidades móveis de imunização, assim como realizando campanhas publicitárias, com o fito de informar e promover a adesão à imunização. Por fim, o brasileiro de norte a sul terá mais chance de ter seus direitos assegurados, de acordo com a constituição regente.