Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 28/07/2022

Contratado para combater as doenças que assolavam o Rio de Janeiro no final do século XIX, o médico sanitarista Oswaldo Cruz impôs, de forma forçada e sem nenhuma informação prévia à população, a vacinação contra a varíola. Não obstante, com o intuito de preservar o próprio corpo daquele líquido desconhecido, iniciou-se uma rebelião popular afamada de Revolta da Vacina. Visto isso, nota-se que, apesar do tempo decorrido, de forma semelhante ao passado ainda existem obstáculos para a garantia da ampla vacinação aos brasileiros. Assim, é evidente que a negligência governamental unida à desinformação da sociedade constituem os principais desafios dessa questão.

Em primeiro plano, constata-se que o governo se mostra negligente com as necessidades do povo verde-amarelo em relação à cobertura vacinal, visto que muitas das regiões mais remotas do país ainda sofrem com a escassez de recursos para os processos de vacinação. Em contrapartida, até mesmo nos grandes centros urbanos, muitas das vacinas necessárias estão disponíveis apenas no sistema privado de saúde, o que acaba por excluir os mais pobres desse direito.

Outrossim, evidencia-se que a queda do número de vacinantes no Brasil se refere, em grande maioria, à desinformação. Visto isso, tem-se como causa principal desse fenômeno a ascenção de discursos de desvalorização do conhecimento científico, como o antivacina. Nesse sentido, o pensamento do filósofo Pierre Levi entra em consonâcia com essa problemática, dado que o estudioso afirma ser consequência de uma sociedade hiperconcetada a circulação de informações falaciosas. Logo, apenas despertando-se a criticidade nos indivíduos, a disceminação dos discursos iverídicos poderá ser contida.

Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos impecilhos relacionados à imunização nacional dos indivíduos. A princípio, o Estado deve garantir, por meio do mapeamento das localidades e da constante manutenção dos estoques, os recursos para os programas vacinatórios no país. Ademais, o ministério da saúde unido às mídias sociais, devem promover a disceminação constante de campanhas informativas e de alerta sobre o movimento antivacina, o qual é baseado na ignorância e no desconhecimento do processo vacinatório.