Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 18/10/2022
A pandemia de Covid-19 trouxe consigo um discurso antagônico a ciência: a dubiedade da vacinação. Diante disso, observa-se que muitas vidas foram perdidas devido à disseminação de notícias falsas. Logo, um diálogo entre sociedade e Estado sobre os meios para assegurar a vacinação é medida que se impõe.
O estado do Rio de Janeiro protagonizou, no início do século XX, a Revolta da Vacina, uma rebelião popular contra a campanha de vacinação obrigatória. Não obstante, a varíola foi erradicada após os episódios violentos, evidenciando que a falta de conhecimento sobre as consequências da imunização causou tamanha revolta. Esse problema assume contornos específicos no Brasil, onde 67% da população acredita em alguma informação falsa sobre a eficácia e os efeitos das vacinas, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Imunização. Sob esse aspecto, depreende-se que, apesar da dimensão tecnológica, científica e informacional disponível atualmente, a desinformação circula facilmente em uma sociedade hiperinformada, uma vez que não há checagem de fontes seguras o suficiente.
Nesse contexto, muitos grupos lutam, incompreensivelmente, para afrontar a ciência, sob o argumento de que vacinar-se deve ser opcional, utilizando a premissa da liberdade. Todavia, percebe-se que o conceito de liberdade é distorcido em prol do indivíduo, não do coletivo. Ademais, não é razoável que a força dessa população supere a validade das instituições científicas em todo o país. Sob essa perspectiva, o negacionismo deve ser repudiado, uma vez que vacinar-se é um ato de saúde coletiva e não deve ser tratado como escolha ou liberdade individual, pois interfere na dinâmica de toda a sociedade. Desse modo, é necessário reconstruir uma consciência sobre a importância e a seguridade da vacinação, evitando assim a disseminação de doenças que já foram erradicadas.
Sendo assim, é mister que o Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, elabore um plano nacional de incentivo à vacinação, divulgando, através da mídia, o calendário vacinal anual, bem como possíveis efeitos colaterais dos imunizantes e locais de vacinação. Assim, observada a ação continuada entre população e poder público, pode-se minimizar de forma mais efetiva a hesitação em vacinar-se.