Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 09/11/2022

O poeta pós-modernista Manoel de Barros produziu, em suas obras, uma “Teologia do Traste”, cuja principal função consiste em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou desprezadas. Seguindo a lógica barrosiana, é necessário, portanto, valorizar também a problemática da vacinação dos brasileiros, visto que, atualmente, sua garantia, tornou-se um desafio. Nesse sentido, é imperioso destacar a negligência estatal e os discursos falaciosos das redes sociais como causas do quadro deletério.

A príncipio, cabe ressaltar que a carência de medidas governamentais fomenta o impasse. Nesse contexto, a obra “Cidadão de Papel”, do autor Gilberto Dimenstein, defende que as garantias constitucionais funcionam apenas na teoria, ou seja, não são perpetuadas na prática. De maneira análoga, a falta de investimento em programas que vacinem os jovens nas escolas e imunizem os indivíduos que moram em áreas periféricas, infelizmente, atenua a prevenção de doenças vigentes, bem como impede que a população tenha acesso ao direito da saúde, garantido na Constituição Federal brasileira.

Ademais, é valido destacar que as redes sociais provomem rápida disseminação de discursos falasiosos sobre a imunização e intesificam a problemática. Nesse viés, segundo Pierre Levy, a sociedade atual é hiperconectada, ou seja, qualquer informação é difundida com facilidade e atinge uma grande parcela de pessoas. Consecutivamente, movimentos antivacina, por exemplo, podem ser espalhados pela internet e, sem a devida reflexão do usuário acerca da veracidade do conhecimento, provocam a desinformação e a falta de interesse da comunidade com a vacinação. Portanto, é inadmissível que esse problema persista no país.

Em suma, urge ao governo federal, como instância máxima da administração executiva, garantir a vacinação dos brasileiros, por meio da criação do projeto “Imuniza Já”, que contrata profissionais da saúde e os encaminha para as escolas de todo território nacional, além de visitar as moradias das famílias que moram em ambientes periféricos, com o fito de imunizar uma maior parcela da população

e assegurar o direito à saúde. Desse modo, a ação do Estado seguirá a lógica

barrosiana e dará valor as situações esquecidas e desprezadas.