Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 14/07/2023
A Revolta da Vacina, de 1904, foi fruto de uma reação popular contra a política de governo do médico sanitarista Oswaldo Cruz que, visando ‘’limpar’’ a cidade do Rio de Janeiro, começou a invadir casas e a vacinar a população à força. Paralelamente, sem desconsiderar os efeitos históricos, o Brasil atual enfrenta grandes desafios com a vacinação, consequências da disseminação de informações falsas e da omissão estatal.
Com efeito, é necessário analisar que após a pandemia da Covid-19, inúmeros dados infundados sobre a vacina foram compartilhados. Sob tal óptica, a fala do Presidente da República, Jair Bolsonaro ‘‘Se tomar a vacina, vai virar jacaré’’, causou forte reação a seus apoiadores que, por meio das redes sociais, espalharam as falas e, concomitantemente, negaram o ato da vacinação. Diante dessa perspectiva, o pensamento do filósofo Thomas Hobbes ‘‘O homem é o lobo do homem’’ relaciona-se com a fala do presidente em que, ao atrapalhar as campanhas vacinais impedem a imunização em massa e, dessa forma, acarreta propagação viral, muitas vezes fatal, entre os cidadãos.
Outrossim, a omissão do Estado em garantir a vacinação para todos os cidadãos mantêm, de forma cíclica, a desigualdade para as próximas gerações. Segundo o Jornal O Globo, em 2018, mais de 20% da população não recebia vacinas, sendo essas, em sua maioria, ribeirinhos e periféricos, afastados socialmente da sociedade. Diante dessa análise, o filósofo Baumman em sua obra ‘‘Instituição Zumbi’’ afirma que existe um Estado, mas ele não cumpre seu papel social, assemelha-se com atual conjuntura governamental, já que não assume as responsabilidades de uma sociedade democrática.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação-órgão responsável pela grade curricular das escolas- em parceria com as mídias, mediante políticas públicas, devem criar com os jovens, sob um olhar crítico e construível, oficinas e projetos sobre a eficiência da vacina, levar médicos e posto de saúde para os cidadãos afastados-ribeirinhos, indígenas, quilombolas, entre outros. Tais ações devem garantir um lugar democrático que, diferentemente de 1904, a população saiba da garantia e se vacinem por vontade própria com o apoio do Estado.