Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 24/10/2023
No início do século XX, no Rio de Janeiro, ocorreu a memorável “Revolta da vacina”, manifestação popular contra a imunização da varíola, visto que as pessoas desconheciam tal forma de prevenção. Sem desconsiderar o lapso temporal, hoje nota-se que, apesar das conquistas técnico-científicas ocorridas, muitos cidadãos ainda se negam a receber as vacinas recomendadas pelos órgãos responsáveis. Nesse sentido, as “fake news” e a negligência estatal favorecem esse quadro.
Em primeira análise, é inegável que, através das redes sociais, a disseminação de notícias falsas influencia na decisão dos brasileiros de se manifestar contra a imunização. Isso acontece, porque, segundo o documentário “O dilema das redes”, as publicações virtuais, verídicas ou não, se promovem através dos índices de interação, ou seja, quanto mais reações são apresentadas às “fake news”, mais acessíveis e notórias ela se configuram. Dessa forma, muitos usuários compartilham de opiniões não fundamentadas e contribuem com a problemática.
Ademais, segundo o artigo 6º da constituição federal de 1988, documento supremo no Brasil, o direito a saúde é inerente a todo cidadão, sem ressalvas. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa que, na recente pandemia do Corona Vírus, 75% dos óbitos ocorreram em vítimas não vacinadas. Nesse sentido, segundo o sociólogo polonês Bauman, uma instituição é considerada um estado “zumbi” ao não executar a sua função original. Sob esse viés, o governo brasileiro é análogo a esse conceito, visto que colabora com a não realização das medidas sanitárias necessárias para prevenção.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esse entrave. Para isso, é imprescindível que o Estado, através do Ministério da Saúde, promova projetos para a exposição das “fake news” - corrigindo as falsas afirmações através das suas redes sociais e dos veículos de imprensa, a fim de garantir que os cidadãos que foram influenciados pelas práticas negacionistas tenham acesso às fontes devidas. Dessa forma, se consolidará uma sociedade mais consciente e segura.