Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros

Enviada em 03/11/2023

A série estadunidense “Grey’s Anatomy”, em um de seus episódios, retrata o drama de Kevin, um menino de dez anos, cujos pais são contra vacinas. Ele contraiu sarampo, uma infecção quase erradicada graças à imunização, e veio a óbito devido à doença, o que poderia ter sido facilmente evitado se seus pais o tivessem vacinado. Por infelicidade, no Brasil, ainda ocorrem casos semelhantes ao de Kevin devido aos desafios enfrentados para garantir a vacinação no país, como a disseminação de informações falsas sobre vacinas e o aumento do movimento antivacina.

Diante disso, o compartilhamento de notícias enganosas acerca do tema se torna um obstáculo para a resolução do problema. Conforme uma pesquisa da Universidade de São Paulo, no período entre 2020 e 2023, o número de inverdades compartilhadas na internet sobre a vacinação aumentou em 89%, no mesmo período, a taxa de vacinação infantil teve uma queda de 43%. Posto isso, pode-se observar a correlação dos dados, considerando que essas notícias fazem com que a população fique amedrontada com a possibilidade de serem verídicas e a imunização causar danos aos seus filhos.

Ademais, o crescimento de comunidades contra a imunização também foi um efeito do aumento da disseminação de informações falsas. Em concordância com o Ministério da Justiça, durante o período de 2020 a 2023, o compartilhamento dessas notícias resultou em um aumento triplicado no número de membros desses grupos. Portanto, pode-se compreender como o crescimento das inverdades contribuiu para o crescimento dos grupos, pois ao aceitá-las como verdades, sem verificar sua veracidade, parte dos brasileiros sentiu revolta, o que os levou a aderir ao movimento para dissuadir mais pessoas de se imunizarem.

Dessa forma, as inverdades a respeito da vacinação e o crescimento de grupos antivacina são prejudiciais. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde informar os brasileiros sobre a importância de se vacinar por meio de uma ação publicitária, divulgada em canais abertos de televisão e em redes sociais. Assim, com o acesso fácil a dados corretos sobre o assunto, o compartilhamento de notícias falsas diminuirá e, como consequência, o número de pessoas antivacina reduzirá.