Desafios para garantir disponibilidade da água e saneamento para todos de forma sustentável
Enviada em 03/11/2025
Na obra “O Povo Brasileiro”, o antropólogo Darcy Ribeiro analisa a formação histórica do país e mostra como a trajetória social e política nacional gerou desafios estruturais que comprometem o avanço do Brasil. Esse legado ainda persiste, sendo a escassez de água e saneamento um entrave ao desenvolvimento, pois a má distribuição desses recursos promove doenças e impacto direto na saúde pública. Tal problemática decorre do descaso governamental e da negligência social.
Sob esse viés, o filósofo Nicolau Maquiavel afirma que os governantes agem pela lógica da manutenção do poder, relegando o bem comum a segundo plano. Assim, instala-se um quadro de negligência política: recursos destinados a políticas de fornecimento hídrico e saneamento são escassos, e a conscientização sobre riscos à saúde é insuficiente, já que tais pautas não trazem retorno eleitoral imediato. Além disso, grupos econômicos privilegiados pressionam o Estado a priorizar demandas lucrativas, deixando projetos de tratamento hídrico sustentável em segundo plano. Desse modo, a omissão governamental amplia os impactos sobre a saúde e a dignidade social.
Ademais, a omissão popular intensifica o problema. A filósofa Hannah Arendt, em seu conceito de “banalidade do mal”, explica que injustiças se perpetuam quando a sociedade as aceita como naturais. Nesse sentido, muitos se acostumam à precariedade da água em regiões pobres, o que reduz a cobrança pública e enfraquece a pressão por políticas efetivas. Tal postura, gerada pela falta de educação cívica, alimenta um ciclo de passividade e legitima a desigualdade.
Portanto, o Estado deve promover campanhas de conscientização — como “Água e Saneamento: Alicerces do Futuro” — por meio de mídias digitais e comerciais televisivos, para minimizar os impactos da escassez hídrica e do saneamento inadequado. Outrossim, a mídia deve ampliar o debate público, mobilizando a população e pressionando os governantes. Assim, será possível romper o legado de desigualdades apontado por Darcy Ribeiro e garantir acesso universal à água e ao saneamento digno no Brasil.