Desafios para garantir disponibilidade da água e saneamento para todos de forma sustentável
Enviada em 04/11/2025
Na série Cidades Invisíveis, observa-se o contraste entre o avanço urbano e a degradação ambiental. Analogamente à obra citada, observa-se no Brasil contemporâneo os desafios para garantir a disponibilidade da água e o saneamento para todos de forma sustentável. Nesse sentido, cabe analisar a negligência estatal e a falta de conscientização social quanto ao uso racional dos recursos hídricos.
Em primeiro plano, evidencia-se a carência de políticas públicas efetivas voltadas à gestão hídrica e ao saneamento básico. Segundo Émile Durkheim, em sua obra sobre o fato social, o indivíduo tende a replicar as ações comumente vistas em seu meio. Dessa forma, nota-se que o comportamento do brasileiro reflete a falta de exemplos por parte do poder público, visto que a má gestão e o desperdício de água são recorrentes. Com a escassez de investimentos e de fiscalização, o governo não garante o acesso equitativo a esses serviços essenciais, o que agrava a crise hídrica e perpetua desigualdades sociais.
Ademais, destaca-se a falta de comprometimento social com a sustentabilidade dos recursos naturais. Sob essa ótica, a Constituição Federal de 1988 assegura, em seu artigo 225, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Entretanto, verifica-se que a realidade diverge da teoria, pois o consumo desenfreado e a poluição de rios e mananciais revelam a carência na execução e fiscalização das normas ambientais. Assim, a ausência de responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e cidadãos compromete a preservação da água potável e o alcance das metas da Agenda 2030 da ONU.
Torna-se, portanto, imprescindível a intervenção nesse cenário conflituoso. Nesse sentido, o governo federal deve, por meio do Ministério do Meio Ambiente, promover campanhas educativas e investimentos em infraestrutura hídrica e saneamento básico, como tratamento de esgoto e reaproveitamento de águas pluviais, a fim de garantir o uso sustentável dos recursos e o bem-estar social. Somente assim, será possível assegurar o direito à água e ao saneamento, retomando a harmonia entre desenvolvimento e sustentabilidade.