Desafios para garantir disponibilidade da água e saneamento para todos de forma sustentável
Enviada em 27/01/2026
Nos dias atuais metade da população mundial não tem acesso a água potável e saneamento básico. Esse cenário alarmante contrasta com os avanços tecnológicos do século XXI, que demonstraram ser capazes de ampliar o acesso à dignidade humana para uma parcela bem maior da população. Portanto, o desafio de garantir saneamento básico e água para para todos de maneira sustentável não é tecnológico. Os principais obstáculos são a sociedade capitalista e a inefiência do estado.
Primeiramente é importante rememorar que os desafios que a sociedade capitalista trouxe ja eram evidentes durante o século XIX, quando o sociólogo alemão Karl Marx publicou a sua obra “O Capital”. De acordo com o autor, a sociedade capitalista nutre a mercantilização das necessidades vitais, que reforça uma ideia escassez entre as camadas mais pobres da sociedade. Isso é evidenciado ao observar que em diversos países os serviços de saneamento é maior entre os mais ricos e menor entre os mais pobres.
Outrossim, é importante reforçar o papel do estado ao falhar em garantir serviços essenciais para a sua população. O sociólogo polonês Zyngmunt Bauman no seu estudo sobre a “modernidade líquida”, refere-se a algo que o autor chama de “Instituições Zumbi”. São artíficios do estado para a solução de problemas que, apesar de existirem, não têm capacidade de cumprir sua função original. Isso é constatado quando o Estado, em sua ânsia em demontrar labor, cria empreendimentos para acesso a água imprópria para o consumo. Esse tipo de manobra eleitoreira cria uma ideia de progresso que não resolve o cerne do problema.
Portanto, a fim de democratizar o acesso à água para toda a população, cabe ao Estado, por meio do redirecionamento de verbas públicas, investir em programas de desenvolvimento e fiscalização , capazes de promover obras de saneamento básico de qualidade. Ademais, compete ao Poder Legislativo a criação e o fortalecimento de leis que regulem a mercantilização de serviços essenciais, garantindo, por meio de mecanismos legais e fiscalizatórios, que tais direitos sejam assegurados a todos.