Desafios para impedir o turismo sexual no Brasil

Enviada em 02/11/2025

O aumento do turismo é uma consequência esperada de um mundo globalizado, consequentemente, é também compreensível que a desagradável variação desse ato, aquele feito com intenções de satisfazer desejos eróticos - especialmente masculinos - venha a aumentar. Nesse contexto, a patrimonialização e a objetificação da mulher, embora aconteçam de formas diferentes, têm um papel considerável na permanência do problema.

É díficil barrar com sucesso formas de exploração contra a figura feminina em uma sociedade que por muito tempo viu meninas e mulheres como propriedade. Isso é, em História das Mulheres no Brasil, de Mary del Priori, a autora aponta que a mulher foi tratada historicamente como parte do patrimônio masculino e, como tal, as únicas coisas a serem valorizadas sobre elas, eram aquelas que podiam oferecer. Assim, em uma demonstração pífia da falta de progresso, essa mentalidade, compartilhada por visitantes de outros países, incentivou o fenômeno denominado turismo sexual quando a nação era ainda uma colônia e continua incentivando até os dias de hoje.

Além disso, a representação da mulher brasileira nas mídias populares de outras nacionalidades contribui para a renovação desse ciclo degradante promovido pela visita desses agentes exteriores ao país. Um exemplo disso é a apresentação das mulheres no filme Anaconda, que se passa no início do século XXI, na Amazônia. Nesse filme, ao se optar por personagens esteriotipadas do ser humano brasileiro, passa-se a representação sexualizada da figura feminina, que está sempre disposta a oferecer ao outro aquilo que ele deseja, especialmente se relacionado ao ato sexual. Dessa forma, passando a mensagem da suposta disponibilidade da brasileira a cumprir “sonhos” que outras não cumprirão.

Portanto, para controlar o acesso de pessoas de outras nacionalidades com intenção de fazer isso ao país, é necessário que a Polícia Federal atue com mais rigor, disponibilizando mais policiais - devidamente treinados para lidar com as mulheres vitimizadas e com os ofensores - para as areas de maior recorrência dessa situação, com o objetivo de controlar o fluxo de estrangeiros e impedir o acesso deles aos locais que oferecem mulheres para fazer esse “serviço”.