Desafios para impedir o turismo sexual no Brasil
Enviada em 21/10/2026
Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, o protagonista combate a imagem deturpada do Brasil perante o mundo. Fora da ficção, a hipersexualização do país ainda perpetua graves estigmas, materializados na persistência do turismo sexual. Esse cenário nocivo é impulsionado tanto pela vulnerabilidade socioeconômica de populações fragilizadas quanto pela ineficiência na fiscalização das redes de exploração.
Em primeiro lugar, a desigualdade social atua como catalisador do turismo sexual. Segundo Zygmunt Bauman, a precarização das condições de vida na modernidade gera profunda insegurança. Sem acesso a emprego e proteção social, indivíduos em situação de pobreza tornam-se alvos fáceis para aliciadores nacionais e estrangeiros. Assim, a falta de oportunidades econômicas converte-se em violação direta da dignidade humana.
Ademais, a fragilidade no monitoramento do setor perpetua a impunidade dos infratores. Embora a legislação brasileira criminalize a exploração sexual, a falta de integração entre a inteligência policial, o setor hoteleiro e as plataformas digitais dificulta a interrupção dessas práticas. Sem uma fiscalização rigorosa nos principais pontos de entrada e no ambiente virtual, as redes clandestinas continuam operando com baixa repressão.
Portanto, medidas são urgentes para combater esse problema. Cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com a Polícia Federal, intensificar o combate ao turismo sexual, por meio da criação de postos de fiscalização especializados em polos turísticos e do uso de softwares de rastreamento digital. O objetivo é desmantelar as redes de agenciamento e punir os criminosos. Dessa forma, o Brasil garantirá a proteção de sua população e a efetivação dos direitos fundamentais.