Desafios para impedir o turismo sexual no Brasil
Enviada em 19/06/2025
A Carta de Achamento de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel é conhecida co-mo a certidão de nascimento do Brasil. No texto, há um parágrafo destinado à des-crição das partes íntimas de mulheres indígenas. Com essa abordagem, o docu-mento foi pioneiro em transmitir a visão eurocêntrica e deturpada de que as habi-tantes nativas do Brasil, por possuírem determinadas características inéditas e exó-ticas ao homem europeu, seriam alvos fáceis de exploração sexual. Essa perspecti-va se expandiu de tal modo ao longo da história, a ponto de a mulher brasileira tornar-se um símbolo para o turismo sexual. Por isso, atualmente, o Estado precisa elaborar com urgência novas estratégias de combate a esse crime.
Inicialmente, é relevante resgatar as origens históricas desse dilema, o que remon-ta aos primeiros anos de formação do povo brasileiro, marcados pela violação de corpos de mulheres indígenas e de mulheres negras pelos europeus. Para que isso se concretizasse, a noção de que os nativos eram inocentes e não conheciam a ver-gonha, como escrito por caminha, serviu para endossar os abusos. Além disso, a crença de superioridade racial dos colonizadores em relação aos povos subjugados, reforçaram as práticas de violência sexual. Em suma, todo esse processo histórico pautado na brutalidade e na relação de exploração foi o pilar para a construção da ideia do Brasil como uma nação alvo de turismo sexual.
Em segundo lugar,atualmente, a grande mídia e as grandes empresas exercem pa-pel central na sustentação desse esteriótipo. A respeito disso, tem-se como exem-plo os guias turísticos da década de 1970 da empresa estatal Embratur, que conti-nham fotos de mulheres em trajes de banho em destaque nas capas. Outro caso semelhante, em que houve apelo sexual em artigos para turismo no Brasil, foi o das camisetas feitas pela Adidas para serem vendidas nos Estados Unidos, por oca-sião da Copa do Mundo de 2014. As vendas foram suspensas a pedido do presiden-te da própria Embratur, em postura contrária a de anos atrás.
Logo, é fundamental que o Estado reforce sua presença em localidades mais vul-neráveis a esse problema, a fim de combater os focos desse crime. Isso deve ser feito por meio da ampliação do número de conselhos tutelares, delegacias especia-lizadas e da atuação do Ministério Público nesses casos.