Desafios para impedir o turismo sexual no Brasil

Enviada em 26/06/2025

Segundo a filósofa Marilena Chauí, a ideologia atua como um par de óculos com lentes distorcidas: quem os usa acredita enxergar com nitidez, mas, na verdade, vê apenas aquilo que essas lentes permitem. No contexto do turismo sexual, essa metáfora revela como parte da sociedade enxerga a exploração do corpo brasileiro, sobretudo feminino e intantil, como algo natural, cultural ou até mesmo lucrativo, ignorando sua dimensão violenta e desigual. Essa naturalização, frequentemente estimulada por discursos midiáticos e agravada pela exclusão social, evidência a urgência de uma intervenção efetiva por parte do estado.

Ademais, a sexualização do corpo brasileiro é amplamente reforçada pela mídia. Em um show na Europa, a cantora Anitta afirmou que, enquanto nos EUA todos querem ser descolados, “no Brasil a galera só quer se divertir e transar”. Embora dita com tom descontraído, tal frase alimenta estereótipos hipersexualizados sobre os brasileiros especialmente mulheres e contribui para o imaginário estrangeiro que impulsiona o turismo sexual. A repercussão midiática desse tipo de fala, sem filtros críticos, agrava ainda mais esse cenário.

Outrossim, a persistência desse imaginário hipersexualizado está intrinsecamente ligada à exclusão social e à falta de acesso a direitos básicos. Em regiões marcadas por pobreza extrema e ausência de oportunidades, muitas mulheres e crianças tornam-se alvos fáceis para esse tipo de exploração, seja pela vulnerabilidade econômica, seja pela negligência estatal. Portanto, a metáfora de Marilena Chauí sobre ideologias distorcidas revela como se romantiza ou silencia a desigualdade estrutural que sustenta o turismo sexual.

Dessa forma, para mitigar os efeitos da exclusão social e da influência midiática na perpetuação do turismo sexual, o Ministério da Cidadania deve promover políticas públicas de proteção social em comunidades vulneráveis, com acesso à educação, saúde e geração de renda. Paralelamente, o Ministério das Comunicações, em parceria com veículos de mídia, deve regulamentar e fiscalizar conteúdos que reforcem estereótipos hipersexualizados, incentivando campanhas que valorizem o corpo brasileiro como símbolo de cultura e dignidade, não de exploração.