Desafios para impedir o turismo sexual no Brasil
Enviada em 04/07/2025
De acordo com o Código de Conduta do Ministério do Turismo, “o turismo sexual é o ato de viajar com a intenção de obter serviços sexuais, comumente onde há vulnerabilidade social, leis permissivas, ou falta de fiscalização”. Diante disso, infelizmente essa prática no Brasil é recorrente, tendo em vista que, a mulher brasileira é estereotipada sexualmente no cenário internacional e nacional. Bem como, a notória desigualdade social no país favorece a ação supracitada.
Haja vista que, em 1530 o Brasil foi colonizado efetivamente com a chegada da expedição de Martim Afonso de Souza; lamentavelmente, durante o processo de colonização, os portugueses retratavam em cartas e imagens o povo indígena e as africanas escravizadas de maneira sexualizada. Dessa forma, essas mulheres foram desumanizadas e reduzidas há objetos de prazer; sendo assim, a cruel violência e exploração sexual presentes na época, deixaram marcas profundas na sociedade brasileira. À medida que, a visão das figuras femininas nacionais estereotipadas sexualmente perdura atualmente em âmbito global.
Ademais, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, “a falta de capitais sociais e econômicos forçam os indivíduos a buscar alternativas de subsistência fora das vias convencionais”. Nesse sentido, a persistente disparidade social no Brasil expõe as populações vulneráveis há diversos tipos de exploração, logo, favorecendo práticas como o turismo sexual no território nacional. Diante do exposto, urgem medidas eficazes que vizem a desconstrução da visão estereotipada e hipersexualizada da mulher, tanto como o enfrentamento das desigualdades que prolongam esse atroz contexto de exploração na realidade brasileira.
Portanto, para que essa conjuntura seja solucionada em âmbito nacional e internacional, a UNESCO em articulação com o CONAR, deve coibir práticas publicitárias e midiáticas que reforcem padrões sexistas ou objetificantes associados à mulher brasileira por meio de sanções éticas. Paralelamente, as prefeituras de todos os municípios devem criar campanhas educacionais focadas na população marginalizada, elucidando os malefícios desse vínculo exploratório. Dessa forma, será possível desarticular, de forma progressiva e efetiva, o turismo sexual na esfera nacional.