Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 15/03/2019
Durante a colonização hispano-americana os espanhóis ficaram impressionados os sofisticados sistemas de saneamento básico das grandes civilizações pré-colombianas. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos, o Brasil não conseguiu incorporar com eficácia essa prática antiga a estrutura das suas cidades. Diante disso, é preciso entender os desafios políticos e culturais brasileiros que essa questão enfrenta.
Em primeiro plano, é evidente que a falta de recursos financeiros promove a desigualdade no desenvolvimento do saneamento entre as regiões do país. Nesse sentido, existe um abismo entre os índices de tratamento de esgoto de capitais como São Paulo (93%) e Macapá (5,5%), segundo a UOL. Assim, tal discrepância demonstra a fragilidade das administrações municipais que optam em empregar o pouco recurso que têm em ações ditas emergenciais e populistas. Portanto, investimentos em saneamento não são priorizados por sua característica de longo prazo que não agregam benefício imediato a imagem do administrador público.
Em conseqüência de tal cenário, se faz necessário demonstrar as massas que essas políticas produzem impacto positivo no sistema de saúde. Aliado a isso, a Organização Mundial da Saúde – OMS afirma que a cada R$1,00 gasto em saneamento básico, R$4,00 são economizados em saúde. Tal fato é explicado pela grande procura aos postos médicos ser motivada por doenças oriundas da falta de coleta de lixo, água encanada e esgoto tratado. Certamente, o Estado necessita ampliar a cultura de prevenção atrelada ao saneamento básico.
Em suma, fica claro a importância da priorização dessa pauta pela administração pública. Indubitavelmente, o Governo Federal deve garantir 8% do orçamento da saúde para projetos municipais de saneamento, afim de criar uma rede nacional homogênea de proteção. Além disso, representantes municipais devem capacitar mão de obra local por meio de cursos profissionalizantes, de modo que garanta execução das obras e gere empregos, promovendo cultura do investimento em saneamento.