Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 12/04/2019

Durante a Idade Média, o surgimento de doenças como a Cólera e a Peste Negra ocorreu devido à falta de saneamento básico, entretanto, naquela época, não se sabia que sua ausência proliferava organismos nocivos à saúde humana. Todavia, ainda hoje, mesmo após séculos de avanços na ciência e, portanto, no conhecimento das consequências da falta de higiene, milhares de brasileiros ainda sofrem. Nesse contexto, sua deficiência é considerada como um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil que afeta, curiosamente, as populações mais marginalizadas do país: social, econômica e politicamente.

Primeiramente, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há uma tradição mundial, referente à exclusão social e econômica, relacionada ao saneamento básico. Sem dúvida, tal fato é observado através do Índice de desenvolvimento Humano (IDH) - uma forma de medir o grau de desenvolvimento de um país e, logo, da qualidade de vida de seus habitantes - que trabalha com variáveis ligadas ao saneamento básico: saúde, educação e renda. Decerto, observa-se que a falta de acesso a ele no Brasil, aproximadamente 60% conforme dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), ocorre com os indivíduos marginalizados: sem acesso à educação de qualidade, à saúde e com baixa renda. Contudo, os mesmo problemas são pouco vistos nas regiões mais ricas do país.

Nessa conjuntura, segundo a ANS, as doenças provocadas pela falta de coleta e tratamento de água, esgoto e lixo determinam, em muitas regiões do país, a superlotação de hospitais. Apesar disso, atualmente, mesmo com conhecimentos precisos e dados alarmantes, é notório o negligenciamento das autoridades referente à saúde pública. Evidentemente, a exclusão política dessa minoria, que não tem uma bancada representativa disposta a defender seus interesses, acarreta, por conseguinte, na ausência de políticas públicas relacionadas ao problema.

Dessa forma, antes de tudo, é evidente a necessidade representativa dessa minoria nas bancadas políticas brasileiras. Para isso, as ONG’s  têm papel importante, através da educação, de incentivar uma mobilização social para conscientizar o cidadão pobre e periférico de que precisa de representantes políticos. Além disso, o investimento financeiro, por parte do município e do estado, para desenvolvimento de instalações de saneamento básico se faz uma medida profilática importante que melhora a qualidade de saúde da população e ajuda a diminuir a superlotação em hospitais. Por fim, uma maior fiscalização de leis já existentes, por parte da ANS em parceria com os municípios, ajudaria, a médio prazo, na retomada de obras e na instalação de novos sistemas de saneamento. Assim, o país caminhará para um desenvolvimento mais justo e acessível.