Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 10/08/2019

Durante a República da Espada, a Revolta da Vacina marcou a tentativa do Governo de modernizar o Rio de Janeiro, por meio de promessas como erradicação de doenças e democratização do saneamento básico. Entretanto, nota-se que mesmo com o passar dos séculos a questão do saneamento ainda persiste e tem relação direta com o modelo de urbanização do país e a situação da saúde pública atual. Dessa forma, deve-se analisar tais situações e buscar soluções eficazes.

Em primeiro plano, vale destacar a urbanização tardia do Brasil. Os países da América Latina, em sua maioria, sofreram um processo de modernização tardio, rápido e desorganizado e, por isso, situações de pobreza e ausência do direito ao saneamento ainda permanecem nesses locais. Sendo assim, há uma discrepância com relação a esse acesso, no Brasil, tendo lugares com tratamento adequado e outros onde as pessoas ainda usam fossas. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, cerca de 48% dos brasileiros não possuem tratamento de esgoto, o que comprova tal antagonismo e desorganização no país.

Outrossim, a precariedade na obtenção do saneamento básico afeta de forma direta a saúde pública. A necessidade do autocuidado é fundamental para a prevenção de doenças, porém, quando há um acesso escasso tal profilaxia fica inviável e acaba por colaborar na superlotação do sistema público de saúde. A exemplo tem-se uma série de reportagens, elaborada pelo Jornal Hoje, sobre saneamento básico no Brasil e como a sua precariedade pode lotar unidades de pronto atendimento.

Portanto, a necessidade de modernizar as cidades brasileiras não deve se prolongar por mais séculos, pois é uma questão de urgência e direito das pessoas. Desta maneira, o Ministério das Cidades, em parceria com empresas privadas, deve elaborar um plano, a médio prazo, de democratização do acesso ao saneamento básico, por meio de pesquisas universitárias e de instituições renomadas, que priorizem as áreas marginalizadas, a fim de ampliar o direito do cidadão e também a sua vida.