Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 08/05/2019

Durante a Idade Média, o surgimento de doenças como a Cólera e a Peste Negra ocorreu devido à falta de saneamento básico, entretanto, naquela época, não se sabia que sua ausência proliferava organismos nocivos à saúde humana. Todavia, mesmo após séculos de avanços na ciência e, portanto, no conhecimento das consequências da falta de higiene, milhares de brasileiros continuam sofrendo. Nesse contexto, sua deficiência é considerada como um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil que afeta, curiosamente, as populações mais marginalizadas do país: social, econômica e politicamente.

Primeiramente, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há uma tradição mundial, referente à exclusão social e econômica, relacionada ao saneamento básico. Sem dúvida, tal fato é observado por meio do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - uma forma de medir o grau de desenvolvimento de um país e, logo, da qualidade de vida de seus habitantes - que trabalha com variáveis ligadas ao saneamento básico: saúde, educação e renda. Decerto, observa-se que a falta de acesso a ele no Brasil, aproximadamente 60% conforme dados da Agência Nacional de Saúde (ANS), ocorre com os indivíduos marginalizados: sem acesso à educação de qualidade, à saúde e com baixa renda. Contudo, os mesmo problemas são pouco vistos na regiões mais ricas do país.

Nessa conjuntura, segunda a ANS, as doenças provocadas pela falta de saneamento básico determinam, em muitas regiões do país, a superlotação de hospitais. Apesar disso, atualmente, mesmo com conhecimentos precisos e dados alarmantes, é notório o negligenciamento das autoridades referente à saúde pública. Evidentemente, a exclusão política de uma minoria marginalizada, que não tem uma bancada representativa disposta a defender seus interesses, acarreta, por conseguinte, a ausência de políticas públicas relacionadas ao problema.

Dessa forma, antes de tudo, é evidente a necessidade representativa dessa minoria nas bancadas políticas brasileiras. Para isso, as Organizações Não Governamentais (ONG’s) têm papel importante, por meio da educação, de incentivar uma mobilização social para conscientizar o cidadão pobre e periférico de que precisa de representantes políticos. Além disso, o investimento financeiro, por parte do município e do Estado, para desenvolvimento de instalações de saneamento se faz uma medida profilática importante que melhora a qualidade de vida da população e ajuda a diminuir a superlotação em hospitais. Por fim, uma maior fiscalização de leis já existentes, por parte da ANS em parceria com os municípios, ajudaria, a médio prazo, na retomada de obras e na instalação de novos sistemas de saneamento. Assim, o país caminhará para um desenvolvimento mais justo e acessível.