Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 16/05/2019

Em pleno século de alta industrialização e desenvolvimento da economia brasileira, a falta de saneamento básico supera a vida de milhares de pessoas, expondo-as a uma condição de vida subumana. Segundo o Centro de Informação sobre Reciclagem e Meio Ambiente, 100 milhões de pessoas ainda não possuem serviço de coleta de esgoto, assim como 3 milhões não recebem água tratada. Desse modo, o Brasil não consegue progredir em seus indicadores sociais por conta de não ter prioridade em sua estrutura elementar de nossa sociedade.

Assim sendo, devido a um pontual negligenciamento das autoridades quanto ao saneamento básico brasileiro, as catastróficas consequências se advêm sobre a população de forma exponencial. Segundo o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, os temporais datados no início de Abril do ano de 2019 que resultou em 10 mortos foram “completamente atípicos”, todavia a história mostra que tais eventos fazem parte do cotidiano carioca há séculos. O padre José de Anchieta, conta aos jesuítas, em 1575, no relato “[…] chove tanto que se encheu e rebentaram as fontes […]”, o escritor Machado de Assis cita também “[…] mais que em 1811, as conas serviram aos habitantes e o perigo ensinou a estes a navegação.”. Logo, a questão está vinculada à estrutura primitiva que o estado do Rio de Janeiro possui.

A deficiência no sistema de estrutura e políticas públicas sobre este respeito desencadeia em um vasto descuido ambiental que se acumula em malefícios econômicos e biológicos sobre a população, principalmente, àquela que reside nas áreas periféricas. A alta densidade dos seres humanos somados a um saneamento básico precário potencializa a dispersão de febre tifóide, amebíase, giardíase, leptospirose, e outras, resultantes da carência de serviços de água potável, coleta e tratamento de esgoto, de maneira que, a população afetada por esses patógenos seja periférica, justamente por possuir em suas áreas de convívio, uma totalidade de 68% de suas comunidades não abastecidas de rede de esgoto, como aponta um estudo da FGV.

Tendo em vista os fatos expostos, conclui-se, portanto, que é necessária a intervenção imediata dos órgãos públicos no objetivo de erradicar tal exigüidade. Dessarte, cabe às governanças municipais, juntamente com a Receita Federal, a melhor aplicação de recursos financeiros nesta área, como na formação de profissionais de saúde e trabalhadores comunitários junto das populações locais, em especial, em comunidades marginalizadas e, deste modo, promover a dignidade humana sustentada por um saneamento básico de qualidade.