Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 16/05/2019

A obra O Cortiço de Aluísio de Azevedo, autor realista, retrata o problema histórico brasileiro acerca da urbanização. Essa foi rápida e não planejada, o que levou inúmeros habitantes a se deslocarem em direção as periferias em busca de moradia. As favelas brasileiras são resultado desse movimento e exemplos da falta de planejamento urbano que acarreta em grandes dificuldades de saneamento básico. Desse modo, pode-se inferir que a periferização, em conjunto com baixos esforços governamentais, é um dos grandes desafios para a implementação de saneamento básico.

Primeiramente, cabe apontar que a localização geográfica das periferias é um obstáculo para obras de saneamento. Grande parte das moradias estão situadas em relevos íngremes, como as favelas presentes nas grandes metrópoles, sujeitos a deslizamentos de terra devido ao desmatamento para construção de residências. Nesse caso, obras de canalização de água e esgoto poderiam trazer mais riscos a essas regiões, devido a necessidade de impermeabilização do solo.

É importante observar que levar saneamento básico para essas áreas demandaria grandes investimentos, entretanto não é o que tem se concretizado. O governo brasileiro, de 2011 a 2016 manteve parcialmente inalterado os índices de acesso a distribuição de água e coleta de esgoto. Atualmente, segundo o site de notícias G1, em vista dos investimentos destinados a essa iniciativa, toda a população brasileira seria contemplada com saneamento em 2060, 27 anos de atraso em relação a proposta inicial, que estimava o ano de 2033 como prazo final.

Portanto, é imprescíndivel atentar-se as condições das moradias das periferias - áreas que mais necessitam de saneamento - e traçar planos estruturais que envolvam uma maior qualidade de vida para esses indivíduos, o que garantirá um menor índice de doenças parasitárias, alagamentos, presença de insetos e roedores. Para isso, o governo deve aumentar a verba destinada ao saneamento básico, e firmar novas parcerias com o setor privado, com o objetivo de incentivar a expansão do sistema de coleta e distribuição, e alcançar, cada vez mais localidades brasileiras com foco nas grandes comunidades. Assim, o Brasil se tornará um país em que cenas como as de O cortiço não farão mais parte da realidade.