Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 30/05/2019

O sociólogo Durkheim postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica à questão da precariedade do saneamento básico no Brasil, em que o descaso governamental com a fiscalização do setor e a falta de um canal de comunicação direto da população com o órgão responsável acarreta em uma coleta de lixo defasada, bem como o tratamento de esgoto e água no país, que reverbera de forma negativa, tanto para a população quanto para o meio ambiente. Por isso é preciso que haja medidas para transformar essa situação.

Nesse viés, cabe salientar que de acordo com  a Constituição Cidadã todos têm direito à saúde, vida e habitação. Entretanto, esta não é a realidade, visto que apenas metade da população é contemplada com o tratamento de esgoto. Essa situação, infelizmente, traz agravantes para a outra parcela da comunidade, como por exemplo: maior risco de doenças e problemas ambientais. Entre eles esta o esgoto a céu aberto, que por conta do déficit na coleta de lixo, grande quantidade de dejetos e resíduos domiciliares são despejados na latrina  - ocasionada pela má gestão do saneamento nos municípios -. Com isso, tais locais, além da consequente contaminação da água, tornam - se focos de doenças parasitárias e infecciosas, como a diarreia. Desse modo, é necessário que haja maior fiscalização nos bairros, principalmente bairros periféricos, que são os mais atingidos por essa mazela.

Nesse contexto, é possível aludir ao documentário “Garapa”, o qual retrata a situação vivenciada no interior do Ceará, em que populações ribeirinhas vivem sem condições básicas, como por exemplo: água tratada. Tal realidade submete os moradores a risco de morte, pois a água palpável a estes são de rios, que, lamentavelmente, não passam por tratamento e provoca o aumento de enfermidades por essa conjuntura, que acomete na maioria dos casos as crianças - o que corrobora para a soma de estatística da mortalidade infantil -. Dessa forma, é fundamental um canal população-governo, haja vista a dificuldade para tomar conhecimento acerca dos lugares com precário saneamento.

Portanto, faz se necessário que o Estado atue por meio dos Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Saúde (MS) nos locais da cidade com menor abrangência de saneamento básico, fazendo triagem do que precisa ser feito para melhorar a qualidade de vida dos habitantes da área. Além do MS levar agentes de saúde até as comunidades para diagnosticar possíveis doenças e ensinar através de palestras abertas para a população medidas profiláticas para lidar com essa situação. Ademais, é importante que o MMA junto com a mídia, atue ao divulgar um meio de comunicação para que a população possa relatar o não cumprimento das medidas de saneamento. Dessa maneira, paulatinamente, conseguir-se-a melhorar o saneamento básico brasileiro.