Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 25/06/2019

Na época da escravidão, alguns cativos africanos eram obrigados a levar dejetos produzidos nas cidades e a despejá-los em lugares afastados, que não possuíam qualquer preparo para receber o material. Atualmente, o problema do deficitário saneamento básico- que engloba os setores da limpeza urbana e do manejo sanitário- persiste, tanto devido à falta de celeridade no cumprimento das leis quanto a condutas pouco éticas por parte dos cidadãos.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a demora no cumprimento das leis é uma das causas do dilema. Um exemplo disso é o caso dos aterros sanitários; segundo dados do Governo Federal, eles deveriam ser implantados até 2014. No entanto, muitas cidades ainda possuem lixões, locais que reúnem insetos vetores de doenças e que contaminam lençóis freáticos, como principais receptores de detritos. De acordo com o pensamento do filósofo grego Aristóteles, o homem é naturalmente um ser político. Logo, tem-se na política um meio eficaz para solucionar a questão.

Ademais, outro desafio para aprimorar o saneamento brasileiro é a ausência de “solidariedade” por parte de muitas pessoas. Esse conceito, idealizado pelo sociólogo Émile Durkheim, versa sobre a necessidade de integração social, de modo a permitir um bom funcionamento das relações interpessoais. Todavia, nem todos os indivíduos cooperam para esse objetivo pois, dentre várias outras transgressões, descartam resíduos em corpos hídricos e em espaços públicos. A exemplo disso, menciona-se o rio Tietê, localizado na cidade de São Paulo e quase integralmente poluído por objetos de variados tamanhos e composições. Isso impede o aproveitamento do rio para atividades comerciais e de lazer, além de prejudicar os animais que nele habitam. Consoante a abordagem do pensador britânico Herbert Spencer, a escola tem o dever de formar o caráter dos indivíduos; então, é nesse ambiente que as mudanças devem começar.

Assim, fica evidente que esse cenário precisa ser modificado. Primeiramente, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, um dos órgãos responsáveis pela administração pública, envie servidores públicos para fiscalizar as condições sanitárias nos municípios e, por meio de multas, puna os políticos descompromissados com a temática, com a finalidade de reprimir condutas contrárias à limpeza sanitária. Outrossim, ainda pela lógica spenceriana, é preciso que as escolas, mediante a disciplina de Educação Ambiental, promovam palestras e discussões acerca da importância do saneamento coletivo e do descarte correto do lixo. Dessa forma, certamente o Brasil afastar-se-á da realidade vivida no período escravista e propiciará mais qualidade de vida a toda a população.