Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 15/07/2019

Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil, e ficou impressionado com o potencial da nova casa. Então, resolveu escrever o livro “Brasil país do futuro”, para evidenciar o magnífico desenvolvimento que estava por vir. Entretanto, quando se observa a situação precária do saneamento básico em todo o território nacional, em que milhões de pessoas convivem com esgoto a céu aberto na porta de casa e sem acesso à água potável, percebe-se que o presságio ocorreu somente na ficção da obra. Nesse sentido, cabe análise das causas, consequências e possível solução da problemática.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a falta de investimento nesse setor afeta de maneira prejudicial à vida de uma grande parcela da população brasileira. Acerca disso, é pertinente trazer os dados divulgados pelo instituto Trata Brasil, o qual demostra que 100 milhões de brasileiros não possuem acesso à coleta de esgoto, e 35 milhões não dispõe de água tratada. Isso acontece porque, o investimento econômico adequado para infraestrutura no saneamento básico e o planejamento continuam sendo negligenciados, pois o país investe menos da metade do que seria necessário, e se os esforços para mudar essa situação continuarem dessa forma, somente em 2060 será possível universalizar o acesso. Dessa forma, é substancial à alteração desse quadro que atinge toda a população.

Em segundo lugar, é válido reconhecer como esse panorama supracitado ocasiona vários problemas, entre eles á disseminação de doenças como dengue, zika, diarreia e hepatite A. Esse cenário se evidencia conforme informações do IBGE, as quais atestam que no ano de 2013, aproximadamente 400 mil brasileiros foram internados por doenças gastrointestinais, no entanto, esse número poderia ser 270 mil com melhorias nas condições de saneamento. Diante dos fatos, é inegável que o investimento nesse setor resultaria na economia de um grande valor gasto anualmente com saúde pública, porque um real gasto com saneamento economiza quatro reais com outros gastos. Logo, urgem medidas para garantir o direito ao acesso á esse serviço.

Em suma, com o intuito de amenizar essa problemática, o Governo Federal em conjunto com todas as esferas deve desenvolver uma política nacional de saneamento básico eficaz. Isso deve ser feito por meio de investimento e planejamento adequado, contendo detalhamento de gastos e tempo para realização das obras, que devem ser realizadas de maneira continuada, a fim de a cada ano atingir uma porcentagem maior da sociedade com acesso aos serviços básicos garantidos pela constituição. Feito isso, as perspectivas de Zweing para o Brasil não serão somente uma utopia.