Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 02/11/2019
Há mais de 2000 anos, estudiosos romanos elaboraram um complexo sistema de diques aquíferos que foram capazes de transportar água por toda cidade. No cenário hodierno, entretanto, o sistema de saneamento básico do Brasil não é capaz de oferecer serviços eficientes como aqueles da Roma Antiga. Cabe, portanto, analisar as causas e consequências deste fenômeno.
Em primeira análise, elenca-se a pouca importância dada ao saneamento básico pelo governo como causa primordial do colóquio. A esse respeito, é evidente o fato de que, devido ao desvio ilícito de capital público e supervalorização de áreas nas quais se pode obter retorno imediato, o saneamento básico é tratado como uma pauta secundária pelos governantes, os quais não estão dipostos a desprender uma grande investimento inicial para universalizar tal serviço. Uma consequência disso foi mostrada um levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil o qual mostra que, entre os anos 2011 e 2016, os índices de tratamento de água e esgoto nos principais municípios brasileiros se mantiveram praticamente constantes.
Ademais, a limitação da cobertura dos serviços básicos nas periferias agrava a problemática. Acerca dessa premissa, dados do Organização Mundial da Saúde alegam que áreas sem sistema de saneamento básico eficiente favorecem a disseminação de doença infectocontagiosas oral-fecais, como diarreia, cisticercose e ascaridíase. Dessarte, a dificuldade de se levar serviços de encanamento de esgosto, tratamento de rejeitos, instalação de fossa química e fornecimento de água potável à areas afastadas do centro da cidade aliado a deficiência de linhas de transportes públicos que interligem as periferias a clínicas e hospitais reduz significarmente a qualidade de vida daqueles que residem nesses locais. Assim, conclue-se que o descaso governamental inviabiliza a moradia digna nas áreas periféricas.
Portanto, medidas são necessárias para ressolver o impasse. Com o fito de amplificar a qualidade de vida das periferias, o governo federal deverá fornecer serviços eficientes de saneamento básico por meio de investimentos financiados por impostos pagos pela população anualmente. Tal projeto será feito em consonância com as metas do milênio da ONU, as quais preveem a universalização da garantia à dignidade humana, pondo o Brasil como um exemplo a ser seguido no cenário mundial. Desse modo, por intermédio de medidas efetivas e graduais, o Brasil poderá desfrutar de bons serviços básicos como fizeram os romanos 2 séculos atrás.