Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 02/08/2019

No filme ‘‘Wall-E’’, um único robô habita o planeta terra, repleto de lixo e sem condições sustentáveis de vida. A realidade brasileira está seguindo a ficção, uma vez que o saneamento básico não é realizado de maneira adequada. Infelizmente, uma ideia deturpada sobre a relação do homem com a natureza permeia o senso comum, intensificando, assim, a precariedade do saneamento básico brasileiro. Além disso, tal fato ocorre, também, pelo descaso governamental em estabelecer políticas públicas eficientes.

A priori, é necessário ressaltar que a população de maneira geral vê o meio ambiente como um mecanismo para ser utilizado e atender aos desejos de quem o utiliza. Essa perspectiva ignora a obviedade que é a dependência da natureza para a sustentabilidade da vida humana, fazendo do saneamento básico ainda mais precário, pois o desprezo com práticas sustentáveis é, portanto, naturalizado pelo senso comum. A título de ilustração, no ano de 2018, o desperdício de água foi enorme, ao ponto da cidade de São Paulo passar por uma crise hídrica. Isso comprova como a população não se preocupa com o saneamento básico, haja vista a importância da água potável para o funcionamento correto dele.

Nesse contexto, é indispensável destacar que o governo também colabora para a precariedade do saneamento básico, uma vez que as metas para melhorá-lo não são clarividentes. É possível constatar esse fato ao observar dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o qual mostra que apenas 38,2% dos municípios brasileiros estabeleceram diretrizes claras para o incremento do saneamento básico brasileiro. Por conseguinte, a falta de objetivos demonstra como o problema não recebe sequer, a devida atenção.

Logo, é axiomático que a população e o governo colaboram para a problemática. Diante disso, é imprescindível que o Ministério da Educação, responsável pela administração do ensino no país, esclareça a importância do saneamento básico. Isso deve ser feito por meio do estabelecimento de uma matéria escolar sobre o meio ambiente para o ensino médio (uma vez que os adolescentes desse nível escolar estão na iminência de exercer plenamente a cidadania), de modo que os alunos entendam que práticas cotidianas sustentáveis precisam ser realizadas por todos os cidadãos, para a melhoria do saneamento básico e consequentemente, do meio ambiente. Dessa forma, é possível formar indivíduos ecologicamente corretos, aptos a cobrar dos respectivos governantes políticas sanitárias eficientes.